Com o objetivo de valorizar o turismo cultural e o patrimônio histórico e arqueológico de Santarém, o secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, acompanhado de sua equipe técnica, visitou, na manhã da última quinta-feira, o ateliê do ceramista Elves Sousa Costa, conhecido como mestre Elves. O espaço é uma das principais referências na preservação e difusão da cerâmica tapajônica no município.

Localizado na Rua dos Lírios, nº 60, bairro do Amparo, o ateliê recebe visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior. As visitas devem ser agendadas com antecedência pelo telefone (93) 99168-6988 ou pelos perfis @mestre__elves e @ateliesomestreelves, no Instagram.
“Quem chega aqui não apenas observa, mas vivencia o processo. Temos obras expostas que podem ser estudadas e adquiridas. Cada visita se transforma em uma experiência cultural”, destacou o artesão.
Além da comercialização de peças cerâmicas, o local promove oficinas, aulas e demonstrações do processo de criação, aproximando o público das técnicas tradicionais. O acervo reúne réplicas de peças arqueológicas, estatuetas, apitos cerâmicos e obras contemporâneas, além de produções oriundas de oficinas e residências artísticas.

As réplicas são comercializadas em diferentes tamanhos, sendo as menores as mais procuradas pelos turistas, devido à praticidade no transporte e ao menor risco de danos.
O secretário Emanuel Júlio Leite ressaltou a relevância do trabalho desenvolvido no espaço, tanto para a preservação da cultura local quanto para o fortalecimento do turismo em Santarém.
“É uma arte que atravessa gerações e projeta Santarém para além das nossas fronteiras. O trabalho do mestre Elves preserva um legado ancestral e reforça o potencial cultural e turístico do município”, afirmou.
A relação de Elves com a cerâmica tem origem em uma herança familiar transmitida ao longo de gerações, com descendência ligada aos povos originários Tapajó.
“Minha família sempre viveu dessa arte. É uma herança que vem do século XIX. Desde criança, cresci em contato com esse universo e com fragmentos cerâmicos que encontrei ainda muito cedo. Aos 12 anos, fiz minha primeira peça, mas passei a me dedicar de forma mais intensa à cerâmica a partir de 1999”, relatou.

Além do valor artístico, as peças produzidas carregam significados simbólicos ligados à cosmologia indígena e às crenças dos povos originários, especialmente relacionados aos encantados e aos processos de transformação.
“Esta obra faz alusão ao processo de transformação de um homem em peixe poraquê. Trata-se de uma estatueta em cerâmica tapajônica, representando uma figura masculina em posição reclinada, que remete a uma criatura humana com características animais, neste caso, em processo de transmutação”, pontuou o ceramista.

Para a Prefeitura de Santarém, iniciativas como a do mestre Elves fortalecem o turismo cultural e ampliam as experiências oferecidas aos visitantes do município.
Reconhecida como uma das mais importantes expressões da arte amazônica, a cerâmica tapajônica vem se consolidando como um importante atrativo cultural, educativo e econômico, reforçando a relação entre turismo, identidade e patrimônio histórico de Santarém.
Autor:
Katrine Bentes/ CCOM