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Moradores da comunidade de Arimum participam de capacitações do FormaTur Autor: Divulgação Semtur/ CCOM

Moradores da comunidade de Arimum participam de capacitações do FormaTur

Katrine Bentes
Publicado em - Atualizado
Cursos de Turismo de Base Comunitária e Culinária Regional destacam riquezas culturais, naturais e gastronômicas da região.

A comunidade ribeirinha de Arimum, localizada na região do Arapiuns, viveu quatro dias de imersão em conhecimento, cultura e valorização territorial durante mais uma etapa do programa FormaTur, realizada entre os dias 25 e 28 de maio. A iniciativa da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), promoveu os cursos de Turismo de Base Comunitária (TBC), ministrado pela turismóloga Ediane Lavor, e de Culinária Regional, conduzido pelo chef Nixon Ferreira.

A ação resultou no mapeamento de potenciais turísticos ainda pouco explorados pela própria comunidade, reforçando a possibilidade de desenvolvimento de roteiros de até quatro dias, com experiências que combinam natureza, cultura viva e hospitalidade ribeirinha.

Arimum se destaca por reunir diferentes núcleos comunitários com características complementares, formando uma organização territorial que favorece o desenvolvimento da atividade turística. A comunidade é dividida em três grupos turísticos principais: a área central, Jararaca e Pegadas na Areia.

Entre praias, igarapés, passeios de canoa, produção de farinha, farinhadas, atividades religiosas e rodas de conversa ao entardecer, o cotidiano local se transforma em experiência para visitantes que buscam contato direto com a Amazônia real.

Outro ponto evidenciado durante a capacitação foi a possibilidade de implantação de uma Casa da Memória, proposta construída junto aos moradores. O espaço teria a função de preservar histórias, registros, saberes e tradições, fortalecendo a identidade cultural da comunidade e ampliando as opções de visitação. A iniciativa foi bem recebida e surge como um novo eixo de valorização do território.

Segundo a turismóloga Ediane Lavor, o turismo de base comunitária permite reconhecer elementos que fazem parte da rotina, mas que possuem alto valor para a experiência do visitante.

“O turismo comunitário revela o que muitas vezes passa despercebido pelos próprios moradores. As conversas no terreiro, as histórias contadas à noite, as lendas do rio e da floresta e o modo de vida coletivo são experiências autênticas e extremamente atrativas para quem visita a Amazônia”, destacou.

Ela ressalta ainda que Arimum se diferencia pela diversidade de experiências e pela forma como acolhe o visitante.

“O turista encontra paz, simplicidade e conexão humana. É um lugar onde a natureza e a vida comunitária se integram, despertando sentimentos de pertencimento, empatia e tranquilidade”, afirmou.

No curso de Culinária Regional, os participantes foram orientados a valorizar ingredientes locais e técnicas tradicionais, reforçando a gastronomia como expressão cultural e também como atrativo turístico da comunidade.

A proposta teve como foco o aprimoramento da apresentação e a valorização da identidade alimentar ribeirinha, a partir de insumos já presentes no cotidiano das famílias, como peixes, frutas regionais, galinha caipira e produtos da agricultura familiar.

Segundo o chef Nixon Ferreira, o trabalho buscou fortalecer a essência da culinária amazônica sem descaracterizá-la.

“No curso trabalhamos preparações já consumidas pela comunidade, que contam a história, a cultura e a gastronomia local. Foram desenvolvidos pratos como peixe recheado com farofa e assado em folha de bananeira, feijão com legumes, farofas com farinha artesanal e insumos locais, além de vinagretes com técnicas que melhoram a conservação e a textura dos alimentos”, explicou.

Ele destacou ainda o aproveitamento integral de ingredientes e o uso de técnicas de conservação.

“Também foram produzidos licores, xaropes e compotas, permitindo conservar frutas por mais tempo e utilizá-las em sucos, drinks e outras preparações. Outro destaque foi a redução do tucupi, técnica que intensifica o sabor e amplia suas possibilidades de uso, inclusive com potencial de comercialização em potes para visitantes, valorizando ainda mais esse ingrediente típico da região”, completou.

Entre os participantes, Neide Viana avaliou a capacitação como uma experiência positiva e inspiradora.

“Eu achei uma maravilha, gostei muito. Minha receita pode ser usada em um festival, na recepção de turistas ou em outras ocasiões. Até comentei com as meninas que agora vamos comprar tudo o que for necessário, organizar e colocar em prática”, afirmou.

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