Ao longo de cinco dias, em março, cerca de 20 moradores da comunidade São Marcos, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, participaram de formações realizadas pelo programa FormaTur, da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
O curso de Turismo Rural foi conduzido pela instrutora Iraide Brabo, do Senar, e teve como foco o aprimoramento de experiências em ambientes naturais. A formação abordou desde a criação de roteiros e a condução de grupos até a segurança em trilhas e práticas de conservação ambiental, reforçando também a autonomia dos moradores na organização das atividades turísticas.

A instrutora destacou a maturidade da comunidade na condução do turismo de base comunitária e o nível de organização já existente no território.
“A comunidade de São Marcos foi uma das experiências mais marcantes que tive em mais de 20 anos no Senar. É extremamente organizada, com coordenações bem definidas para cada atividade, o que fortalece o turismo de base comunitária. É um modelo que funciona muito bem e impressiona”, afirmou.
Entre as vivências práticas, destacaram-se a farinhada e o contato com os atrativos naturais da região, como praias, igarapés, floresta e criação de abelhas, que ampliam o potencial para roteiros diversos e sustentáveis. O artesanato local também se destacou, com peças produzidas a partir de fibras de tucumã, madeira e materiais reaproveitados, expressando identidade cultural e criatividade.

Oficina de Manipulação de Alimentos
Já a oficina de Boas Práticas na Manipulação de Alimentos, ministrada pelo engenheiro de alimentos Marcelo Jares (Emater), abordou temas essenciais como higiene, prevenção de contaminações, uso correto de utensílios, armazenamento e organização do ambiente de trabalho, com foco na segurança e qualidade dos alimentos.
O especialista explicou que o desafio está em alinhar a qualidade das matérias-primas locais às práticas adequadas de processamento.
“Nas comunidades, há acesso a ingredientes de excelente qualidade, como peixes e frutas, mas nem sempre o processamento segue as normas higiênico-sanitárias necessárias. O trabalho é justamente orientar ajustes simples, que fazem diferença na qualidade final e na segurança do alimento”, explicou.

Ele destacou ainda a importância da adaptação das orientações à realidade local, contribuindo para reduzir desperdícios e evitar riscos à saúde.

O presidente da comunidade, Carpegiane Duarte, avaliou positivamente a experiência e destacou o impacto das formações no fortalecimento das atividades locais.
“Os cursos vieram somar ao que já realizamos na comunidade. Trouxeram novos conhecimentos e ajudaram a organizar práticas que já existiam, mas que ainda não tinham uma base técnica. Isso fortalece o turismo de base comunitária e amplia nossa visão sobre o setor”, afirmou.

Para o secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, as capacitações reforçam o papel estratégico da qualificação e das parcerias institucionais no desenvolvimento sustentável da região.
“Esse trabalho representa exatamente o que buscamos no turismo comunitário no Rio Arapiuns: organização, valorização cultural e geração de renda. Investir em formação é garantir protagonismo local e respeito ao território. São Marcos é um exemplo de comunidade que vem conduzindo o próprio desenvolvimento turístico”, destacou.
Autor:
SEMTUR