A abertura da programação do 26º aniversário do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA), realizada nesta sexta-feira (22), foi marcada por manifestações culturais, música e tradições que representam a identidade dos povos indígenas do Baixo Tapajós. O primeiro dia da celebração contou com a presença da corte do Sairé, apresentações dos botos e artistas regionais, além de um voltado para o reconhecimento da trajetória construída pela organização ao longo de mais de duas décadas de atuação na região.
O evento é realizado com apoio da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), e celebra os 26 anos de atuação do CITA na defesa dos direitos indígenas, na proteção dos territórios tradicionais e no fortalecimento da união entre os povos Tapajós e Arapiuns. A programação também se torna um ponto de encontro entre diferentes territórios, reafirmando a importância da cultura indígena como elemento vivo da memória e identidades locais.
“Celebrar o aniversário do CITA é celebrar a cultura de todos os povos que compõem este importante conselho. A cultura indígena é uma das bases da identidade do nosso povo santareno, porque preserva conhecimentos ancestrais, fortalece o sentimento de pertencimento e mantém vivas tradições que atravessam gerações”, destacou a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro.


A programação de abertura iniciou com o rito do Sairé, um dos momentos simbólicos do Sairé, que representa fé, ancestralidade e celebração coletiva. O rito representa o profundo sincretismo entre as crenças indígenas do povo Borari e a tradição católica, preservando elementos históricos e culturais que fazem parte da identidade de Alter do Chão e do Baixo Tapajós.
Para o presidente do CITA, Lucas Tupinambá, a celebração do aniversário do Conselho representa a consolidação da trajetória construída pela organização ao longo dos anos.
“O CITA está em atuação desde 23 de maio de 2000, e completar 26 anos representa a força de uma organização política, cultural e social que conquistou espaço em toda a região. Hoje reunimos 126 aldeias em 14 territórios do Baixo Tapajós. Trabalhamos pela educação escolar indígena, saúde e proteção dos territórios, e este momento também é uma forma de valorizar nossa caminhada e o respeito às tradições dos nossos povos”, destacou.


FOTO: Rony Aires
Ao longo da noite, o público acompanhou apresentações culturais e shows, além das tradicionais apresentações dos botos Cor de Rosa e Tucuxi, símbolos do Festival dos Botos de Alter do Chão durante o Sairé. As apresentações levaram ao público elementos da cultura popular amazônica, reunindo música, dança e tradição.
Os grupos Boto Cor de Rosa e Boto Tucuxi celebraram a tradição regional em apresentações marcadas pela participação popular e valorização das manifestações culturais do território.
“O Boto Cor de Rosa é o boto indígena de Alter do Chão. Cada história contada através da arte e cultura, carrega a ancestralidade do povo Borari. O Boto Rosa usa a arte e seus artistas para ecoar a luta dos povos originários do Baixo Tapajós. Está presente no anime do CITA, reforça nosso compromisso com a vida dos povos indígenas e fortalece a luta em defesa do território. O Boto Rosa é Borari, e pertence ao Tapajós, o rio que alimenta os 14 povos da região. Está na programação é um brado de luta e resistência indígena”, destacou Tiago Vasconcelos, presidente da Associação folclórica Boto Cor de Rosa.
Segundo Ana Maria, presidente do Grupo Sóio Cultural Boto Tucuxi, participar do aniversário do CITA tem um significado muito importante, já que o grupo também integra o movimento indígena. “Junto aos 14 povos, seguimos de braços erguidos na luta em defesa da floresta e do Rio Tapajós, que é a casa do nosso amado Tucuxi e de onde vêm os peixes que alimentam nossas famílias. Por meio da cultura, também levantamos nossa voz pela preservação. Surara", destacou.


A programação também integrou diferentes expressões artísticas ao longo da noite. O público acompanhou a apresentação de Chico Malta e convidados, além dos grupos Suraras do Tapajós, Nativos Borari e Carimbós do Planalto, que levaram às pessoas muito ritmo, dança e elementos da cultura popular, valorizando os movimentos culturais dos territórios do Baixo Tapajós. A Banda 5º Dimensão e a DJ Pedrita animaram o público com shows musicais que seguiram até a madrugada.
Para Dinael Arapiun, da Aldeia Braço Grande e representante do território Terra Preta, o aniversário do CITA representa um momento de fortalecimento da organização indígena e de valorização da luta coletiva construída ao longo dos anos.
“Esses 26 anos representam toda a caminhada e os desafios enfrentados pelos povos indígenas na defesa dos nossos territórios. Este momento reúne diferentes etnias e territórios em uma celebração que também reafirma nossa organização e nossa resistência. Hoje seguimos construindo novas oportunidades para as comunidades, fortalecendo nossa economia e mostrando a força do nosso povo por meio da nossa cultura, dos nossos produtos e da nossa coletividade”, destacou.


Neste sábado (23) e domingo (24), outras apresentações vão integrar a programação de aniversário do CITA.
Programação
23 de maio – Sábado
21h – Corte do bolo de 26 anos do CITA
22h – Balanço do Norte
23h – Boi Caprichoso
23h30 – Boi Garantido
00h00 – Forró dos Bakanas
24 de maio – Domingo
17h45 – Ritual
18h30 – Caldo de Piranha
19h30 – Desfile de Kunhã e Apigá e danças
21h – Júlio Tapará e Alterneiros
23h – Forró dos Bakanas
01h – DJ Pedrita
Autor:
Welison Tupayú - CITA