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Orla de Santarém se transforma em cinema a céu aberto na abertura do CineAlter 2026 Autor: Gabriel Borari

Orla de Santarém se transforma em cinema a céu aberto na abertura do CineAlter 2026

Victor Ribeiro
Publicado em - Atualizado
Festival Latino-Americano de Cinema de Alter do Chão iniciou programação com exibição de filmes, ritual indígena, música e celebração da diversidade cultural.

A Orla de Santarém ganhou novos contornos na noite desta sexta-feira (12), com a abertura oficial do Festival Latino-Americano de Cinema de Alter do Chão. O evento foi realizado em frente ao Centro Cultural João Fona, que se tornou uma grande sala de cinema a céu aberto para o início de mais uma edição do CineAlter, que este ano traz como tema "Cinema das Juventudes: novas perspectivas, urgências e caminhos para o audiovisual".  

O evento reuniu público, realizadores audiovisuais, pesquisadores, artistas, representantes de comunidades tradicionais e gestores culturais em uma noite de celebração das narrativas amazônicas, reafirmando o CineAlter como um importante espaço de valorização da produção cinematográfica da região e promovendo um diálogo entre diferentes territórios, saberes e expressões culturais da Amazônia.  

A programação começou com a apresentação da Banda Filarmônica Professor José Agostinho, que recebeu o público na Orla de Santarém e marcou o início das atividades do festival, reunindo música e audiovisual em uma noite dedicada à cultura e às narrativas amazônicas. 

 

Em seguida, foi exibido o documentário Insurgências, da diretora Érika Bauer de Oliveira. O filme aborda os processos de colonização ao longo das rodovias Transamazônica e BR-163 e é resultado da pesquisa Transamazônica 50+50, coordenada pela professora Raimunda Monteiro, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). 

“Foram quatro anos de trabalho e produção, e é muito emocionante lembrar dos desafios em reunir em 50 minutos uma história de 50 anos. Temos na amazônia muitos protagonismos e decidimos contar o protagonismo das populações que estavam aqui. Este trabalho pretende ser um farol para estimular outras iniciativas, pois estamos deixando um banco de entrevistas, depoimentos e pesquisas que servem para outras produções a partir desse material histórico”, destacou a professora.

Um dos momentos mais marcantes da abertura foi a realização do Dabacuri, ritual tradicional do povo Borari da Aldeia de Alter do Chão. A celebração levou para a orla uma réplica do mastro do Sairé e um banho de cheiro preparado coletivamente, envolvendo o público em uma experiência de partilha e valorização dos saberes ancestrais. 

“Este momento representa uma grande celebração da fartura das Aldeias, do que vem da floresta, além de ser um agradecimento a Tupã, Deus Indígena, a tudo que vem para a comunidade. É um grande banquete compartilhado. E estar na programação do CineAlter é uma forma de ecoar a voz do povo Borari, mostrando nossa luta, acaba sendo muito importante para fortalecer nossas tradições dentro do território”, destacou Alan Rios, membro da comissão de artes do boto cor de rosa.

 

Na sequência, o público acompanhou a exibição do filme Refúgio, dirigido por Rafael Duarte. A obra retrata a história dos descendentes de pessoas escravizadas que vivem em Cachoeira Porteira, no município de Oriximiná, onde está localizado o maior quilombo reconhecido do Brasil. Após a sessão, o líder comunitário Rubens Cordeiro compartilhou com os espectadores reflexões sobre sua trajetória e a participação da comunidade na construção do roteiro do filme. 

 Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, a realização do festival em um espaço público reforça o compromisso de ampliar o acesso da população às atividades culturais e fortalecer o audiovisual produzido na Amazônia. 

“Estar em frente ao Centro Cultural João Fona, com uma programação aberta ao público, é uma forma democrática de levar cultura para as pessoas. Nesta quinta edição do festival, a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Cultura fazem questão de apoiar essa iniciativa, que reúne exibição de filmes, apresentações musicais e contribui para o fortalecimento do audiovisual na nossa região”, afirmou a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro. 

O encerramento da programação ficou por conta do cantor Eduardo Du Norte, que apresentou o show Amor Amor. Com releituras de clássicos do brega romântico, o artista embalou o público presente e encerrou a primeira noite do festival em clima de celebração. 

“Esse ano foi a primeira vez que realizamos  abertura do CineAlter em Santarém, e escolhemos a frente do Centro Cultural João Fona exatamente por ser um símbolo da história e da memória de Santarém. O Cinema e a produção audiovisual também estão profundamente ligados à memória, à história e acaba sendo uma maneira de visitar o passado para pensar o futuro. Também queremos propor esse tipo de reflexão às pessoas”, destacou Raphael Ribeiro, presidente do Instituto Território das Artes (ITA).

 

Programação do CineAlter 2026 – Sábado (13)

MANHÃ

📍 Sala de Cinema Allana Fernandes – Praça 7 de Setembro, Alter do Chão

9h às 10h35 – Mostra Arapiuns (Filmes paraenses)

10h35 às 11h30 – Sessão Especial de Audiovisual Amazônico (Filmes convidados)

12h – Intervalo

TARDE

📍 Sala de Cinema Allana Fernandes – Praça 7 de Setembro, Alter do Chão

16h20 às 17h55 – Mostra Amazonas (Longas-metragens latino-americanos)

📍 Salão Paroquial – Alter do Chão

17h – Painel Único: "Audiovisual como protagonista no desenvolvimento da Economia Criativa Brasileira"

18h30 – Intervalo

NOITE

📍 Palco Multiartes – Praça 7 de Setembro, Alter do Chão

19h – Transmissão do jogo Brasil x Marrocos (Copa do Mundo)

21h30 às 22h30 – Apresentações musicais com Rogginho e Mylla Silva.

 

Programação do CineAlter 2026 – Domingo (14)

MANHÃ

📍 Sala de Cinema Allana Fernandes – Praça 7 de Setembro, Alter do Chão

9h às 10h40 – Mostra Arapiuns (Filmes Paraenses)

10h40 às 11h45 – Sessão Especial de Cinema Amazônico (Filmes Convidados)

12h – Intervalo

TARDE

📍 Sala de Cinema Allana Fernandes – Praça 7 de Setembro, Alter do Chão

14h às 16h30 – Mostra Tapajós (Curta-metragens Latino-Americanos e Brasileiros)

16h30 – Intervalo

16h40 às 17h30 – Mostra CineAlterzinho, com exibição do filme convidado Tubarão Martelo, seguida de bate-papo

17h30 às 19h – Mostra Amazonas (Longas-metragens Latino-Americanos)

NOITE

📍 Palco Multiartes – Praça 7 de Setembro, Alter do Chão

20h30 – Cerimônia de Premiação

21h10 – Filme de encerramento: Mundurukuyu – A Floresta das Mulheres Peixe.

 

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