A tradição do carimbó marcou as comemorações pelos 365 anos de Santarém na noite desta quinta-feira (18), durante uma edição especial da Quinta do Mestre e a Sereia, em Alter do Chão. Realizado no Centro de Referência do Carimbó Mestre Chico Malta, o evento reuniu mestres carimbozeiros, suas sereias, moradores e visitantes em uma celebração da cultura popular amazônica.
Promovida pelo Movimento Carimbó de Alter do Chão, com apoio da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), a programação reforçou a importância da preservação das tradições locais e do carimbó como patrimônio cultural imaterial, destacando a força da identidade e da memória do povo Borari e santareno.

“A Quinta do Mestre e a Sereia já faz parte do calendário cultural de Alter do Chão e, na celebração dos 365 anos de Santarém, não poderia ficar de fora da programação. É um evento que se fortalece a cada edição, valorizando a cultura popular, a identidade do nosso povo e o carimbó, que é patrimônio cultural imaterial. Apoiar iniciativas como essa é contribuir para a preservação e o fortalecimento das nossas tradições”, destacou a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro.
Há oito anos, a Quinta do Mestre e a Sereia promove encontros que fortalecem a tradição do carimbó em Alter do Chão, reunindo mestres, músicos, dançarinos e a comunidade em momentos de celebração da cultura amazônica. A edição especial em homenagem ao aniversário de Santarém contou com a participação dos mestres Chico Malta, Osmarino Cumaruara, Paulinho Baré e Mestre Lúcio, acompanhados por suas sereias e pelo público presente.

“A Quinta do Mestre é importante não apenas para Alter do Chão, mas para a valorização da nossa identidade cultural. É um espaço que fortalece o carimbó, reunindo toda a sabedoria, a arte e a cultura dos mestres, além da beleza e da representatividade das sereias. Aqui mostramos ao mundo a riqueza da nossa tradição, em um ambiente aberto à criação, ao aprendizado e às oportunidades. Este é um espaço sagrado para o carimbó”, destacou o mestre Chico Malta.
Para o mestre Paulinho Barreto, a Quinta do Mestre e a Sereia cumpre um papel fundamental na preservação e fortalecimento do carimbó, reunindo diferentes gerações em torno da cultura popular. Segundo ele, o evento também contribui para a formação de novos grupos, amplia a participação da comunidade e fortalece o turismo em Alter do Chão.
“O maior propósito da Quinta do Mestre e a Sereia é salvaguardar a nossa cultura popular do carimbó, trazer a juventude, as crianças e as famílias para esse grande encontro. Para nós, tem sido um espaço sagrado e cada dia só cresce e se fortalece”, destacou o mestre.


Além de valorizar a cultura popular, a Quinta do Mestre e a Sereia também movimenta a economia local, fortalecendo iniciativas ligadas ao artesanato e à economia criativa de Alter do Chão. Entre os exemplos estão as tradicionais saias de carimbó, produzidas por artesãs da comunidade e alugadas para as apresentações e danças.
A artesã Ana Cláudia Jati destaca que o evento também fortalece o trabalho dos fazedores de cultura e empreendedores locais. Responsável pela confecção e aluguel de saias de carimbó, ela afirma que o contato com visitantes ajuda a difundir as tradições da região. “Alter do Chão e a Quinta do Mestre são uma coisa só, uma cultura viva que chama atenção e mostra a potência das nossas tradições”, destacou.

As mulheres também tiveram espaço de destaque na programação com a participação do coletivo Batuque Santareno. A apresentação evidenciou o protagonismo feminino na cultura popular e reforçou a presença cada vez mais ativa das mulheres nos movimentos de valorização e preservação das tradições amazônicas.
Para a artesã Valdirene Vidal, a Quinta do Mestre e a Sereia é uma tradição que se fortalece a cada edição, mantendo viva a cultura popular ao mesmo tempo em que se adapta aos novos tempos e amplia seu alcance.
“A Quinta do Mestre é uma tradição antiga. Cada vez mais ela vai se adequando ao tempo, se tornando mais acessível e mostrando a força desse movimento”, destacou.


Ao longo dos anos, a Quinta do Mestre e a Sereia tem mostrado que o carimbó segue enraizado na vivência de Alter do Chão e de Santarém, atravessando gerações e se consolidando como um dos principais símbolos da identidade local. É um espaço de pertencimento, memória e troca de saberes, mantendo vivas tradições que conectam passado, presente e futuro.
Para Beto Boro, coordenador do Coletivo Mestres de Alter, o evento se consolidou como um importante movimento de valorização das tradições culturais da região. “O carimbó, como manifestação cultural de raiz, tem sido muito importante para Alter do Chão e Santarém. O movimento dos mestres surgiu para fortalecer e dar visibilidade às nossas tradições e, hoje, é uma referência no oeste do Pará”, destacou.








Autor:
Caio Lobato/ CCOM