O Seminário de Economia Criativa da Amazônia encerrou nesta sexta-feira (12), em Santarém, após dois dias de debates, trocas de experiências e construção coletiva voltados ao fortalecimento da economia criativa na região. O encontro reuniu representantes do poder público, instituições de ensino e pesquisa, organizações da sociedade civil, empreendedores, artistas e agentes culturais, culminando na elaboração da Carta pelo Fortalecimento da Economia Criativa na Amazônia e de um Plano de Ações Estratégicas para o setor.
Realizado pelo Instituto Território das Artes (ITA), com apoio da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), o seminário proporcionou um espaço de diálogo sobre os desafios e oportunidades da economia criativa amazônica, abordando temas como inovação, patrimônio cultural, turismo sustentável, mudanças climáticas e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento dos territórios.

A secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, destacou que a realização do seminário reforça a importância da construção coletiva de políticas públicas capazes de reconhecer a diversidade cultural amazônica e seu potencial para gerar trabalho, renda e desenvolvimento sustentável.
“Encerrar este seminário com a construção de uma carta e de um plano de ações demonstra que o diálogo gerou resultados concretos. Durante esses dois dias, reunimos diferentes atores da cultura, do turismo, da pesquisa, da gestão pública e da sociedade civil. Para Santarém, sediar esse debate reforça nosso compromisso com políticas que valorizem os saberes, a diversidade cultural e o potencial criativo dos nossos territórios como instrumentos de desenvolvimento sustentável e geração de oportunidades”, destacou.

Pela parte da manhã, o painel "Tecnologia, P&D e Inovação Pública: Estruturando Ecossistemas Criativos no Território Amazônico" reuniu especialistas para debater estratégias capazes de impulsionar a economia criativa a partir da inovação, da pesquisa e do fortalecimento das redes de conhecimento na Amazônia.
Em seguida, o debate "O papel da Cultura e do Turismo na Agenda Climática" destacou como as práticas culturais, os saberes tradicionais e o turismo sustentável podem contribuir para o desenvolvimento dos territórios amazônicos, ao mesmo tempo em que fortalecem a preservação ambiental e a valorização das comunidades locais.
“É muito importante promover esse tipo de debate para compreendermos o papel dos conhecimentos tradicionais na conservação e recuperação dos ecossistemas amazônicos. O evento desperta essa reflexão ao abordar temas como turismo de base comunitária, economia circular e bioeconomia, atividades que geram renda ao mesmo tempo em que contribuem para manter a floresta em pé”, destacou Shaji Thomas, diretor do Instituto Mureru Eco Amazônia (IMEA) e pesquisador do CNPq no CAPACREAM.

Para Leila Borari, que participou do painel, a discussão reforçou a importância da cultura e do turismo para o fortalecimento das comunidades amazônicas.
“É um tema muito importante. Aqui na região do Tapajós, o turismo possui uma representatividade econômica significativa. Alter do Chão é uma das principais portas de entrada de visitantes, mas existem diversas outras comunidades que também integram esse cenário. Nossa cultura é forte e está diretamente ligada aos rios e aos modos de vida tradicionais. Quando debatemos esses assuntos, estamos falando sobre valorização cultural, permanência das comunidades em seus territórios e também sobre estratégias para enfrentar a crise climática”, ressaltou.
No período da tarde, os participantes foram divididos em grupos de trabalho organizados a partir dos eixos temáticos do seminário: Territórios e Espaços Criativos; Políticas Públicas para a Criatividade; Cultura, Clima e Agenda 2030; e Turismo, Cultura e Inovação. As discussões resultaram em propostas e encaminhamentos que irão compor os documentos finais do encontro.


O material elaborado reúne contribuições voltadas à ampliação de políticas públicas, ao incentivo à inovação, ao fortalecimento dos empreendimentos criativos e à valorização da diversidade cultural amazônica. A expectativa é que os documentos sirvam de referência para futuras ações e articulações entre instituições, gestores públicos, pesquisadores e agentes do setor.
“Esse documento é uma síntese dos principais pontos abordados durante o seminário, especialmente das demandas, desafios e soluções apresentados pelos participantes. Os grupos de trabalho aprofundaram as discussões em cada eixo temático e contribuíram para a construção de propostas concretas. Quando finalizado, o documento será encaminhado ao Ministério da Cultura, à Secretaria de Economia Criativa e a instituições estratégicas que atuam no desenvolvimento da Amazônia”, destacou Raphael Ribeiro, presidente do Instituto Território das Artes.


Promovido como um espaço de diálogo e construção conjunta, o Seminário de Economia Criativa da Amazônia reforçou o potencial da região como um território de criatividade, inovação e desenvolvimento sustentável, reunindo diferentes vozes em torno de desafios e oportunidades comuns para o futuro da Amazônia.
Autor:
Gabriel Borari