A Prefeitura de Santarém realizou nesta semana, uma vistoria técnica na Ilha do Amor, em Alter do Chão, com o objetivo de avaliar as condições estruturais das barracas instaladas no local e dialogar com a comunidade sobre alterações recentes nos telhados das estruturas. A ação foi conduzida de forma integrada pelas secretarias municipais de Meio Ambiente (Semma), Turismo (Semtur) e Cultura (Semc).
Durante a vistoria, as equipes técnicas identificaram a substituição dos tradicionais telhados de palha por telhas de fibrocimento em algumas barracas, o que provocou mudanças na paisagem da Ilha do Amor. As barracas são elementos simbólicos da praia, principal cartão-postal de Santarém, e exercem papel fundamental como pontos de alimentação, referência da culinária local e expressão do modo de vida tradicional da vila balneária de Alter do Chão, compondo a identidade cultural amazônica do território.

Desde 2022, Alter do Chão é reconhecido como patrimônio cultural de natureza material e imaterial do Estado do Pará, conforme a Lei nº 9.543. Esse reconhecimento estabelece que intervenções capazes de impactar a paisagem cultural devem ser previamente analisadas e autorizadas pelos órgãos competentes, com o objetivo de preservar a memória coletiva, a identidade local e o valor turístico da região.
Além da avaliação técnica, a agenda priorizou a escuta da comunidade. A Prefeitura promoveu uma reunião com representantes do Conselho Comunitário de Alter do Chão, da Associação dos Barraqueiros, moradores e lideranças locais, com o objetivo de compreender as motivações que levaram às mudanças realizadas sem consulta prévia.

Durante o encontro, os barraqueiros relataram que a substituição dos telhados ocorreu após a incidência de incêndios em algumas barracas e que a decisão teve como principal motivação o reforço da segurança para trabalhadores e frequentadores. Segundo os relatos, não houve a intenção de descaracterizar a paisagem nem de desrespeitar o valor cultural do local.
Os barraqueiros informaram ainda que desconheciam a existência da lei de preservação do patrimônio e solicitaram o apoio das secretarias para a realização de ações de formação, a fim de que todos possam compreender melhor as dimensões culturais do espaço e a importância da preservação.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, destacou a importância da escuta e do diálogo institucional.
“Nosso papel é ouvir a comunidade, compreender o contexto dessas decisões e construir soluções que respeitem a legislação ambiental e patrimonial, sem desconsiderar a realidade de quem trabalha diariamente na Ilha do Amor”, afirmou.

A secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, reforçou o valor simbólico das barracas como patrimônio cultural vivo.
“As barracas da Ilha do Amor representam modos de vida, saberes tradicionais e a identidade cultural de Alter do Chão. Preservar esse patrimônio é preservar a história, a cultura amazônica e a memória coletiva da vila balneária. Estamos empenhados em buscar soluções”, destacou.

O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, que também esteve presente na visita, ressaltou a relevância das estruturas para o turismo local.
“As barracas da Ilha do Amor são parte fundamental da paisagem turística de Alter do Chão. Preservar esse patrimônio é também preservar a identidade do nosso destino e a experiência de quem nos visita”, afirmou.

Como encaminhamento, foi definida a criação de um grupo de trabalho com representantes da Prefeitura, da comunidade, do Conselho Comunitário e da Associação dos Barraqueiros. O grupo terá a missão de aprofundar o debate e buscar alternativas que conciliem segurança estrutural, preservação cultural e manutenção da paisagem tradicional da Ilha do Amor.




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