Ao todo, foram produzidas 51 pinturas utilizando técnica mista de aquarela e lápis pastel a óleo. Parte dessas obras foi aplicada em remos de madeira de diferentes tamanhos, totalizando 84 peças artísticas. Outros desenhos inspirados nos fragmentos arqueológicos foram impressos em tecido, incluindo três redes que remetem aos modos de vida e aos costumes dos povos tradicionais e ribeirinhos da Amazônia.
O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Pará, com apoio da Prefeitura Municipal de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Santarém e do Centro Cultural João Fona.
“A exposição contribui para valorizar e preservar a memória arqueológica presente no acervo do Centro Cultural João Fona, aproximando o público das referências históricas e culturais que ajudam a contar a trajetória dos povos que habitaram a região amazônica. É uma iniciativa que transforma pesquisa e patrimônio em experiência artística e educativa para a população”, destacou Priscila Castro.


Além da proposta artística e educativa, a exposição também desenvolveu ações voltadas à acessibilidade e inclusão. Parte das obras foi produzida em baixo relevo e conta com recursos de audiodescrição, permitindo uma experiência sensorial para pessoas com baixa visão ou cegueira total.
A audiodescrição foi desenvolvida por Jeter Rezende, presidente da Associação Santarena para Inclusão das Pessoas Cegas e com Baixa Visão. A programação também recebeu grupos de pessoas cegas e estudantes atendidos pelo Centro de Apoio Pedagógico para Pessoas com Deficiência Visual, vinculado ao Centro de Atendimento Educacional Especializado Dr. José Tadeu, que participaram de uma vivência mediada a partir da leitura tátil de objetos artísticos presentes na exposição.
Para Sabrina Kelly, a experiência acessível proporcionada pela exposição demonstrou o cuidado em tornar a arte mais inclusiva para pessoas com deficiência visual.
“Foi um momento muito significativo, porque percebemos a preocupação do artista em possibilitar que pessoas cegas ou com baixa visão também possam vivenciar a cultura e a arte de forma mais completa. Esse cuidado faz diferença e esperamos que mais iniciativas culturais tenham esse olhar voltado à inclusão, porque a arte e a cultura devem ser acessíveis para todos”, afirmou.

O projeto também realizou oficinas voltadas aos servidores do Centro Cultural João Fona e ao público em geral, promovendo momentos de troca de conhecimentos sobre os processos de pesquisa, curadoria e construção artística da exposição. As atividades buscaram aproximar a população das referências arqueológicas presentes no acervo do espaço cultural, incentivando reflexões sobre patrimônio, memória e identidade amazônica a partir da arte.
Para Newton Magno, a exposição representa uma importante releitura artística do acervo arqueológico preservado no Centro Cultural João Fona.
“O trabalho consegue traduzir elementos da cerâmica arqueológica por meio das artes plásticas, unindo pesquisa, sensibilidade artística e valorização do patrimônio cultural. É uma construção coletiva baseada em um estudo cuidadoso sobre as peças e sobre a memória arqueológica da região. A exposição transforma essas referências em linguagem artística e contribui para salvaguardar a importância desse acervo para a história de Santarém, além de inspirar outros artistas a dialogarem com a nossa ancestralidade”, destacou.


A exposição também evidencia a importância das políticas públicas culturais como instrumento de incentivo à produção artística regional e de valorização do patrimônio histórico e arqueológico amazônico. Segundo o artista, a proposta busca transformar elementos presentes no acervo do Centro Cultural João Fona em experiências artísticas capazes de ampliar o diálogo entre memória, cultura e pertencimento.
Autor:
Divulgação SEMC