Garantir uma alimentação saudável com segurança à crianças e jovens da rede pública de ensino gerando emprego e renda para agricultores familiares da região. É com esse objetivo que uma equipe da secretaria municipal de Educação (Semed), viajou nesta terça-feira (1º) até as comunidades Piracãoera de Baixo e Piracãoera de Cima, na região de várzea, para conhecer duas iniciativas da sociedade civil organizada local cujos produtos irão compor o cardápio da alimentação escolar (merenda) dos alunos da rede pública do município de Santarém. A região de várzea conta com 38 escolas municipais e cerca de 2.000 alunos.
A ação é parte de uma Estratégia, instituída por meio do Decreto presidencial nº 11.822, de 12 de dezembro de 2023 e tem como objetivo ampliar a produção, acesso e consumo de alimentos saudáveis, priorizando os territórios periféricos urbanos e populações em situação de vulnerabilidade e risco social.
Santarém é uma das 60 cidades prioritárias para receber apoio técnico e financeiro do governo federal no primeiro ciclo de implementação da Estratégia, que inclui todas as capitais brasileiras e todos os municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com 300 mil habitantes.
A equipe técnica da Semed foi representada pela Coordenadora do Núcleo Técnico de Alimentação Escolar (NAE) Vanda Maia, Engenheiro Agrônomo Eduardo Serique, Pedagoga e Coordenadora das ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), Iara Ferreira, Nutricionista Nayara Matos e ainda Suelen Walesca, representando o Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE).
Teve ainda a presença da secretária de Trabalho e Assistência Social Celsa Brito, a Coordenadora de Equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Natália Oliveira e Alexandre Ramos, do Instituto Comida do Amanhã.
A iniciativa do NAE/Semed, em promover uma alimentação saudável aos alunos da rede municipal já está contemplada nas diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Foi o que garantiu a coordenadora do NAE, Vanda Maia.
“Visitar uma região produtora com toda essa riqueza de detalhes, principalmente região de várzea é muito importante porque mostra aquilo que nós fizemos como proposta para o PNAE, e hoje o Ministério do Desenvolvimento Social, através da Natália, pôde comprovar que aqui nós temos potencial de produção para abastecer não só os programas e políticas públicas municipais como PAA e PNAE, mas também as feiras e mercados locais com produtos produzidos em âmbito local, especificamente a produção da agricultura familiar”, ressaltou Vanda.
A Cooperativa Coopruvas, com 44 membros associados na região, é uma das parceiras do projeto. O Presidente Venilson Moreira citou o apoio da Semed no processo.
“Esse apoio que a Semed está nos dando é muito importante porque ele abre esse espaço para a Coopruvas vender alimentação saudável para as escolas, para os alunos, isso é gratificante para nós e eu espero que continuem nos apoiando, pra melhoria da nossa comunidade”, disse.
A cooperativa trabalha com melancia, jerimum, maxixe, melão, batata doce, cheiro verde, couve, pimentão, pimentinha.
Benevaldo Rego, morador e produtor da comunidade de Piracãoera de Baixo se mostrou otimista com a nova possibilidade.
“Através da Semed o produtor tem a oportunidade de comercializar sua produção e o que é melhor, ficar aqui mesmo dentro da comunidade pra valorizar a agricultura, a família local e também uma alimentação de qualidade pros alunos. Foi a coisa melhor que aconteceu para nós, como produtor, como agricultor familiar, porque a gente não passa diretamente para o atravessador, a gente vende com um preço bem acessível e isso nos ajuda muito”, completou.
Semed e MDS
Na função de coordenadora de Equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, que constituem estruturas físicas e espaços destinados à prestação de serviços visando garantir a segurança alimentar e nutricional, incluindo a captação, produção, preparo, oferta, distribuição e comercialização de refeições e/ou gêneros alimentícios, Natália Oliveira comentou sobre a experiencia em Santarém.
“A gente veio com o objetivo, de fato, de realizar essa oficina de diagnóstico aqui em Santarém, conhecer as potencialidades, os desafios enfrentados aqui no município, como se sustenta a agricultura familiar, o trabalho desenvolvido pelos agricultores familiares aqui, tanto dentro do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), quanto do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Foi uma experiência riquíssima, e, de fato, é isso que a gente quer enquanto política pública, que esse alimento seja garantido de forma adequada e saudável, com alimentos que levem em consideração a cultura alimentar, que sejam alimentos naturais e que de fato isso chegue ao prato de quem mais necessita”, justificou.
Semed e Instituto Comida do Amanhã
À tarde, a experiência foi na região do planalto, com as experiências de cultivo de espécies mandioca e macaxeira na perspectiva de ampliar o mercado, a oferta da farinha e seus derivados (counidadeSanta Rosa) e, 10km depois, na comunidade Boa Esperança com os Alagricultores da Cooperativa COOPBOA, com a produção de farinhas de mandioca e tapioca, a macaxeira in natura, bolos, polpas de frutas e as hortaliças.
Já Alexandre Ramos, representante do ‘Instituto Comida do Amanhã’ justificou que o governo federal, com a chamada Estratégia Alimenta Cidades, objetiva entender e contribuir para a melhoria das políticas públicas alimentares, tanto da alimentação escolar, como da agricultura familiar.
“E a gente veio para Santarém, sobretudo, para conhecer essa realidade, ver quais são os potenciais, ver quais são os desafios e contribuir para que a gente supere esses desafios e tenha uma alimentação de melhor qualidade, sobretudo nas periferias da cidade de Santarém. Esse olhar que a gente está fazendo aqui é muito importante para compreender essa realidade de como as políticas públicas são desenvolvidas in loco, como os agricultores, por exemplo, conseguem fornecer para a alimentação escolar e quais as dificuldades de logística, de produção por conta de toda essa realidade amazônica e isso pode fomentar melhoria nas políticas públicas tanto locais como nacionais”, pontuou.
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