O 26º aniversário do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA) encerrou neste domingo (24) reunindo um grande público em uma programação marcada pela valorização da cultura indígena, apresentações artísticas e fortalecimento da união entre os povos do Baixo Tapajós. Durante os três dias de celebração, representantes de 14 povos indígenas participaram das atividades, reafirmando a importância do CITA na defesa dos territórios, dos direitos indígenas e das identidades culturais da região.
Realizado com apoio da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), o evento transformou o espaço em um grande encontro entre comunidades, lideranças, artistas e público em geral. A intensa participação ao longo da programação demonstrou o reconhecimento da trajetória construída pelo CITA ao longo de mais de duas décadas de atuação junto aos povos Tapajós e Arapiuns.
“Vivemos dias muito especiais, com grande participação do público durante toda a programação. Tivemos um resultado muito positivo nas vendas, superando as metas do ano passado. A estrutura do evento também garantiu mais segurança e conforto para os artistas e para o público. Ficamos felizes em celebrar mais um ano de luta e conquistas do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns”, destacou Lucas Tupinambá, presidente do CITA.


No sábado (23), um dos pontos altos da programação foi o corte do bolo em homenagem aos 26 anos da organização, reunindo lideranças indígenas, convidados e participantes em uma celebração da resistência e da caminhada coletiva do movimento indígena na região. A noite também contou com apresentações musicais e culturais que mantiveram o público presente até a madrugada.
Entre os momentos mais aguardados da programação estiveram as apresentações dos bois Caprichoso e Garantido, que levaram ao público elementos tradicionais da cultura do boi-bumbá por meio das toadas, das coreografias e da presença dos bois em um encontro marcado pela paixão e entusiasmo das torcidas.
“Os bois fortalecem nossas identidades e hoje estamos ocupando muitos espaços, levando a cultura do boi-bumbá para diferentes públicos. Nossos povos indígenas se sentem representados e fortalecidos por meio dessa presença. Estar aqui é também trazer nossa fala, nossa vivência e nossa cultura. Quando ocupamos esses espaços com os bois, fortalecemos todos os povos da região”, destacou Ira Maraguá, do povo Baré e integrante do corpo de dança do Boi Caprichoso.
A programação de encerramento, no domingo (24), iniciou com ritual tradicional indígena, reafirmando a espiritualidade, os saberes ancestrais e a conexão dos povos com o território. Em seguida, o público acompanhou o show do grupo Caldo de Piranha e o desfile de Kunhã e Apigá, que reuniu apresentações de dança e elementos culturais ligados às tradições indígenas do Baixo Tapajós.
“O aniversário do CITA é um momento em que as aldeias se reúnem junto com tudo aquilo que é produzido em seus territórios. É um espaço importante de encontro, onde celebramos a vida, as florestas e as pessoas que vivem nelas. Nos reunimos para fazer deste momento uma celebração da cultura, da economia indígena, das identidades e da nossa relação com o território”, destacou o pajé Nato Tupinambá.
Ao longo da última noite, artistas regionais também movimentaram a programação com apresentações que reuniram música popular, ritmos amazônicos e forte participação do público. Júlio Tapará e Alterneiros levaram ao palco repertórios clássicos da música nortista. Na sequência, Forró dos Bakanas e a DJ Pedrita, com músicas de aparelhagem e bregas marcantes, encerraram a celebração em clima de confraternização.
Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, a grande participação do público demonstrou a dimensão que o aniversário do CITA alcançou ao longo dos anos dentro da programação cultural da cidade.
“O aniversário do CITA mostrou mais uma vez que já se consolidou como um grande evento do calendário cultural de Santarém. A Praça Tiradentes ficou pequena diante da dimensão da celebração, que reuniu povos indígenas dos territórios que integram o conselho e também a população santarena em um grande momento de cultura, identidade e valorização dos povos do Baixo Tapajós”, destacou a secretária.

Ao longo dos três dias de programação, além das apresentações culturais, a III Feira Indígena também se consolidou como um importante espaço de valorização das produções dos territórios indígenas, reunindo artesanato, biojoias, alimentos tradicionais e diferentes iniciativas empreendedoras das aldeias, fortalecendo a geração de renda e a economia indígena no Baixo Tapajós.
“Para nós foi muito importante, porque as aldeias puderam se encontrar e se fortalecer. Estamos nos organizando e mostrando aquilo que produzimos nos nossos territórios. Foi um espaço de reconhecimento, valorização e comemoração. Nos encontramos com outros povos, compartilhamos conhecimentos e seguimos nos fortalecendo”, destacou Maria Edit Borari, da iniciativa Veio do Mar, da Aldeia Novo Lugar.
Encerrando mais uma edição marcada pela participação popular e pelo fortalecimento das expressões culturais indígenas, o aniversário do CITA reafirmou a importância da organização na articulação dos povos do Baixo Tapajós e mostrou a força dos territórios indígenas na preservação de saberes, tradições e modos de vida da Amazônia.



Autor:
Caio Lobato / CCOM