As apresentações das quadrilhas tradicionais abriram, na noite desta quinta-feira (6), o 50º Festival Folclórico de Santarém, reunindo cerca de 4 mil pessoas na Esplanada Tapajós Professor Júlio Heleno Lages Pereira, conforme estimativa do Corpo de Bombeiros. Em sua edição histórica, os grupos utilizaram a dança, o teatro e a música para transformar a arena em um palco de narrativas sobre a preservação da cultura popular, a identidade amazônica, questões socioambientais e homenagens a personagens do movimento folclórico.

Celebrando 50 anos de tradição, o festival reafirma seu papel como um dos maiores eventos de cultura popular do oeste do Pará, reunindo apresentações competitivas de quadrilhas e grupos de carimbó que valorizam a identidade santarena.
A presidente da Comissão do Festival Folclórico, Tatyane Carvalho, que atua no movimento há dez anos, destacou que o evento vai além das apresentações e deixa um legado para as novas gerações.
“Os grupos se preparam durante todo o ano. É um trabalho que envolve famílias inteiras, crianças, adolescentes e comunidades. A gente ensina cultura e fortalece os bairros. Chegar aos 50 anos do festival é motivo de orgulho para todos nós, porque cada grupo faz parte dessa história”, afirmou.


Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, a abertura confirmou a importância do festival para a identidade cultural de Santarém.
“Começamos com o pé direito. O Festival Folclórico merece toda essa estrutura e valorização porque há 50 anos esses grupos resistem, fazem história e fortalecem a identidade cultural do nosso povo.”

Histórias contadas pela tradição
Cada grupo levou para a arena uma narrativa inspirada em temas históricos, sociais e culturais da Amazônia.
A Junina Tradicional Estrela D’Alva, fundada em 1987, homenageou a professora Isabel, fundadora do grupo, destacando sua contribuição para a cultura e a educação de Santarém.

Com 53 anos de tradição, a Junina Tradicional 5 Aros apresentou o tema “A História de Uma Mulher no Folclore – O Legado de Fátima Silva”, reforçando a importância da preservação das tradições e da participação de diferentes gerações.

Participando pela primeira vez do Festival Folclórico, a Junina Tradicional Meu Xamego, fundada em 2024, levou à arena o tema “O Meu Maior Tesouro é Você”, valorizando sentimentos como amor, esperança, união e confiança.

Há 17 anos atuando na valorização da cultura popular, a Junina Tradicional Flor do Pará apresentou “Tradição que Resiste”, exaltando a permanência e a renovação das tradições juninas como símbolo de identidade e pertencimento.

Fundada em 1973, a Junina Tradicional Trevo do Amor apresentou “Da Terra Brota a Vida, do Casamento Brota o Amor”, resgatando elementos da quadrilha tradicional e valorizando a essência da cultura popular.

Encerrando as apresentações da noite, a Junina Tradicional Coração Paraense levou para a arena o tema “Águas Envenenadas – Coração Sangrando”, abordando os impactos do garimpo ilegal e da contaminação por mercúrio nos rios Tapajós e Amazonas.

Além das quadrilhas tradicionais, a abertura contou com a seletiva de grupos de carimbó. Conquista de Carimbó, Mistura de Carimbó, Encanto de Carimbó e Revelação de Carimbó disputaram vagas para a edição de 2027.

Esplanada Tapajós marca nova fase do Festival Folclórico
A abertura também marcou a estreia da Esplanada Tapajós Professor Júlio Heleno Lages Pereira como palco de um grande evento cultural. O espaço recebeu praça gastronômica, reforço na segurança, acessibilidade e estrutura preparada para receber o público.
Segundo a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, a edição comemorativa exigiu planejamento conjunto entre a Prefeitura, a Comissão do Festival Folclórico e os grupos participantes.
“O Festival de 50 anos exigiu muita organização. Tivemos muitos debates e planejamento junto aos grupos folclóricos, mas o resultado está aqui: uma estrutura maior, preparada para receber o público. Também estamos estreando a Esplanada Tapajós como um espaço destinado à cultura, ao esporte, ao lazer e aos grandes eventos.”

Além das apresentações, a nova estrutura recebeu aprovação do público que acompanhou a abertura do festival.
A funcionária pública Liane Sena, de Alenquer, acompanhou o Festival Folclórico de Santarém pela primeira vez. “Estou achando tudo muito interessante. É um evento bem organizado, com apresentações bonitas e uma estrutura que permite acompanhar tudo com tranquilidade.”
O criador de conteúdo Edney Cunha destacou o impacto social do movimento folclórico. “O festival incentiva crianças, adolescentes e jovens a sonharem. É um movimento que fortalece a cultura e ajuda a construir novos caminhos para a juventude.”

A entrada para o Festival Folclórico é gratuita mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, destinado a ações sociais.
Confira a programação dos próximos dias
Sexta-feira (7) – Quadrilhas Estilizadas
Seletiva
- Coração Brasileiro
- Mistura Brasileira
Apresentações
- Quadrilheiros Show
- Big Ben
- Furacão Junino
- Flor do Sertão
- Raiar do Sertão
- Estrela do Tapajós
- Meu Xodó
- Junina Caipira
Sábado (8) – Carimbó
Seletiva de Quadrilha Humorística
- As Panteras
- Alegria Junina
Grupos de Carimbó
- Carimbó do Pará
- Gingado Tapajônico
- Regional Tapajoara
- Carimbó Caboclo
- Sedução de Carimbó
- Bailado de Carimbó
- Encanto do Tapajós
- Festa de Carimbó
Domingo (9) – Quadrilhas Humorísticas
- Nós na Roça
- Fuzuê das Laranjeiras
- As Turbinadas da Bebel
- As Popozudas
- Bofes e Babados
- Só Fuleragem
- Piranhas e Mocreias
Na segunda-feira (10), ocorre a apuração que definirá os campeões da edição comemorativa de 50 anos do Festival Folclórico de Santarém.
Autor:
Caio Lobato/CCOM