Diante do aumento recente no número de notificações e casos confirmados de dengue no município, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), deu início ao plano estratégico de enfrentamento à doença. A medida reúne ações integradas de vigilância, assistência, controle vetorial e mobilização social.
De acordo com levantamento diário da Divisão Especializada de Epidemiologia do Núcleo Técnico de Vigilância em Saúde (NTVS/Semsa), entre janeiro e o dia 13 de fevereiro foram registradas 199 notificações de dengue. Destas, 99 tiveram resultado positivo, e três óbitos foram confirmados.
A chefe da Divisão de Epidemiologia, Ana Cleide Sarrazin, destacou que o município não registrava mortes por dengue há mais de uma década.
“Desde 2011 não havia registro de óbitos por dengue em Santarém. Os três casos confirmados neste ano tiveram diagnóstico de dengue tipo 2, que ocorre quando o indivíduo é infectado pelo segundo sorotipo do vírus, considerado um dos mais agressivos. O paciente desenvolve imunidade contra o sorotipo pelo qual foi infectado, mas permanece suscetível aos outros três. Por isso, é fundamental manter a vigilância e o acompanhamento adequado dos casos”, explicou.
A orientação é que pessoas com sintomas como febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele ou sinais de agravamento procurem a unidade de saúde mais próxima para avaliação. A recomendação é não se automedicar e buscar atendimento o quanto antes.

Para a coordenadora da Divisão de Controle de Zoonoses, Rose Grace Brito, o enfrentamento à dengue exige atuação conjunta.
“O combate à dengue não é uma responsabilidade isolada do poder público. Ele exige união de esforços. Parcerias com forças de segurança, instituições de ensino, profissionais da Atenção Básica e a imprensa são fundamentais para ampliar o alcance das ações e garantir que a informação chegue corretamente à população. Quando trabalhamos de forma integrada, alcançamos resultados mais efetivos e protegemos mais vidas”, afirmou.
As ações ocorrem de forma integrada com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa). Enfermeiros das UBS da área urbana, planalto e região de rios participaram de reuniões técnicas para reforçar a importância das notificações e do atendimento adequado.
Técnicos do 9º Centro Regional de Saúde também reforçaram os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O técnico de referência em zoonoses e arboviroses, Felipe Dantas, destacou que o atendimento correto e o cumprimento dos protocolos são essenciais para evitar agravamentos.
Além disso, médicos da Atenção Primária participaram de capacitação conduzida pelo infectologista do Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo, Alisson Brandão. A atividade abordou critérios clínicos, exames específicos, encaminhamentos e cuidados domiciliares voltados à redução do risco de internações.

Segundo o especialista, a conduta adequada desde o primeiro atendimento é determinante.
“Quando o paciente é avaliado corretamente, recebe as orientações adequadas para o cuidado domiciliar e é acompanhado conforme o protocolo, conseguimos reduzir significativamente o risco de complicações e evitar internações desnecessárias”, explicou.

Unidades sentinelas e diagnóstico precoce
Como parte da estratégia de vigilância, foram implantadas unidades sentinelas para a realização do teste rápido NS1, permitindo diagnóstico precoce e resposta mais ágil aos casos suspeitos.
As unidades que realizam o teste rápido NS1 são:
-
UBS Nova República
-
UBS Aldeia / Fátima / Laguinho
-
UBS Maicá
-
UBS Livramento
-
UBS Salvação
-
UBS Maracanã
-
UBS Alter do Chão
-
UBS Tabocal
-
UBS Jacamim
Além dessas, os testes também estão disponíveis nas unidades 24 horas:
-
UPA 24h
-
UBS 24h Santarenzinho
-
UBS 24h Nova República
-
UBS 24h Alter do Chão
Os Agentes Comunitários de Endemias (ACE) seguem realizando vistorias domiciliares para identificar e eliminar possíveis focos do mosquito transmissor da dengue, zika e febre chikungunya.
O coordenador da Divisão de Endemias, Edivan Lopes, reforça:
“Nossos servidores estão nas ruas diariamente, visitando residências e orientando as famílias. É fundamental que a população receba as equipes, acompanhe as orientações e compreenda que esse trabalho visa proteger não apenas cada residência, mas toda a comunidade.”
Apesar do cenário, a Secretaria reforça que as ações estão sendo conduzidas com planejamento técnico, transparência e foco na prevenção. Não há necessidade de pânico, mas é fundamental que a população mantenha atenção redobrada.
O secretário municipal de Saúde, Everaldo Martins Filho, afirmou que o plano vem sendo executado de forma integrada entre as coordenações da Semsa, com apoio institucional e parcerias estratégicas.
“Todas as coordenações estão atuando de forma articulada, com planejamento e responsabilidade. Contamos com o apoio do Estado e de outras instituições para assegurar que o plano de enfrentamento à dengue alcance os resultados esperados.”
Em outro momento, o secretário reforçou.
“Não é preciso que as pessoas se apavorem, mas é essencial que estejam vigilantes. Cada morador deve adotar os cuidados dentro de casa, alertar os vizinhos e permitir o trabalho das equipes. Os profissionais de saúde farão sua parte, garantindo atendimento eficaz nas Unidades Básicas de Saúde.”
A Prefeitura destaca que o enfrentamento à dengue é uma responsabilidade compartilhada e que a eliminação de criadouros, a notificação oportuna e o atendimento precoce são fundamentais para reduzir a circulação do vírus no município.
Autor:
Divulgação Semsa