1. Página Inicial
  2. Notícias
  3. Cultura
  4. Theatro Victória celebra 130 anos com atividades culturais e debate sobre o futuro das artes em Santarém
Theatro Victória celebra 130 anos com atividades culturais e debate sobre o futuro das artes em Santarém Autor: Fábio Barbosa

Theatro Victória celebra 130 anos com atividades culturais e debate sobre o futuro das artes em Santarém

Victor Ribeiro
Publicado em - Atualizado
Programação reuniu artistas, produtores e representantes da cultura para refletir sobre a trajetória do espaço, a preservação do patrimônio e a construção de novos caminhos para as artes no município

Os debates em torno do passado, presente e futuro das artes em Santarém foram o foco da programação de aniversário do Theatro Victória, um dos patrimônios culturais mais importantes do município. Para celebrar os 130 anos do espaço, a programação, realizada nos dias 21 e 22 de agosto, reuniu diferentes linguagens artísticas e colocou em discussão a relação entre memória, patrimônio e produção cultural.

Realizada pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SEMC), em parceria com a Associação Cultural dos Artistas, Produtores e Técnicos das Artes Cênicas do Tapajós (ATAS), o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Santarém e o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), a programação integrou a Semana do Patrimônio e também marcou o Dia do Artista de Teatro.

A memória do próprio Theatro esteve presente desde o primeiro momento. O bate-papo “Do palco à tela: o Theatro Victória e o cinema em Santarém” recuperou histórias do período em que o prédio também funcionava como sala de cinema. A conversa, conduzida por Éliton Sousa Reis, com mediação de Alenilson Ribeiro, abriu espaço para lembrar diferentes usos e experiências que ajudaram a construir a relação da população com o espaço.

“Esse Theatro é um patrimônio vivo da resistência daqueles que fazem cultura em Santarém. Além das homenagens, a programação também nos permitiu discutir novas perspectivas e possibilidades, olhando para a história do teatro na cidade desde as décadas de 1920 e 1930, pensando em como nossas produções vem sendo construída e, principalmente, em como podemos ampliar o acesso das pessoas a esse espaço. Foi muito importante também contar com a participação de duas escolas, Madre Imaculada e Colégio São Raimundo, porque são jovens que podem se envolver cada vez mais com o Theatro, conhecê-lo e reconhecê-lo como parte do nosso patrimônio”, destacou o professor e membro do Grupo Teatral Kauré.

A programação também trouxe o audiovisual para dentro do Theatro, com uma Mostra de Curtas-Metragens que aproximou o público de realizadores da região e mostrou que a ocupação do patrimônio pode acontecer por diferentes formas de expressão.

Se olhar para a história ajudou a compreender o que o Theatro Victória representa, pensar o futuro foi igualmente necessário. Na roda de conversa “O Teatro que Queremos”, artistas e representantes da cultura discutiram as condições atuais para a produção das artes cênicas e a necessidade de novos equipamentos culturais em Santarém.

"O teatro tem uma função social muito importante e, por isso, é sempre bom estarmos juntos, pensando, discutindo, analisando, olhando para o passado e buscando inspiração para construir o futuro. E o que a gente deseja é que o teatro santareno tenha, de fato, um futuro tão grandioso quanto a sua história. Um teatro cada vez mais descentralizado, ocupando novos espaços, chegando a diferentes públicos e garantindo que todo espetáculo tenha espaço para acontecer e para transformar vidas", destacou Fábio Barbosa, presidente do Conselho Municipal de Polícia Cultural (CMPC).

Ao final do debate, foi elaborada e aprovada uma carta pública em defesa da construção de um Teatro Municipal para Santarém, retomando uma reivindicação histórica da classe artística.

“Celebramos os 130 anos do Theatro Victória, mas também precisamos discutir qual teatro queremos e como esse espaço pode atender às necessidades da produção artística de Santarém. Essa reflexão vai além da estrutura física e envolve os modos de fazer cultura, as relações com o território, a memória e a ancestralidade, presentes não só no teatro, mas também na música, na dança e na cultura popular. A ideia foi repensar essas questões e apresentar demandas para um espaço mais acessível e conectado a quem produz cultura na cidade”, destacou Mourramdert Flexa, membro do Conselho da ATAS

No segundo dia, a celebração voltou-se para a ocupação artística do espaço. O Sarau Cultural reuniu poesia, música, dança e manifestações da cultura popular, com participações de Elivangela Vieira, Francisco Vera Paz, Boi Resgatão, Ádria Goes e Banda Base da Semc, Grupo Terra Firme e Grupo Festa de Carimbó.

A programação buscou reforçar que o Theatro Victória não é apenas um patrimônio a ser preservado, mas um espaço de cultura viva, onde diferentes linguagens artísticas encontram lugar e dialogam com o público. Teatro, música, cinema e outras expressões passaram a ocupar o palco e os espaços do prédio ao longo das atividades, mostrando que a história do Theatro também se constrói a partir das manifestações que continuam acontecendo.

Segundo a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, a arte e a cultura têm papel fundamental na construção de vínculos entre a população e a cidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a valorização de suas histórias e manifestações.

“É por meio da arte, da cultura e das manifestações que uma cidade consegue se reconhecer e também se conectar com a sua própria história. Quando a população ocupa esses espaços, participa, cria e compartilha suas expressões, ela fortalece os vínculos com o lugar onde vive. É isso que queremos estimular: uma cultura que não fique distante das pessoas, mas que esteja presente no cotidiano, promovendo encontros, despertando pertencimento e mostrando que o patrimônio também está vivo nas experiências", destacou.

Ao completar 130 anos, o Theatro Victória não apenas revisitou sua própria trajetória. A programação mostrou que preservar um patrimônio também significa mantê-lo em movimento, ocupado por artistas, histórias e novas ideias. Entre lembranças do que já foi vivido e discussões sobre o que ainda pode ser construído, o aniversário do Theatro abriu espaço para pensar os próximos capítulos da arte em Santarém.

"Quando falamos sobre a preservação do Theatro Victória, não estamos falando apenas da conservação de paredes, fachadas ou elementos arquitetônicos. Falamos também de memória, identidade, uso e cidade. Temos que compreender o Theatro Victória como parte de uma paisagem histórica e pensar também sobre o território no qual ele está inserido. Preservar um bem sem olhar para o seu entorno pode significar manter o edifício, mas perder gradativamente o contexto que permite compreender sua importância", destacou Cecy Sussuarana, presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Santarém.

Outras Notícias

Política de Privacidade

Usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nossos serviços, você está ciente dessa funcionalidade. Consulte nossa Política de Privacidade.