Em comemoração aos 35 anos do Centro Cultural João Fona, jovens e estudantes de Arqueologia participaram, nos dias 25 e 26 de agosto, de uma oficina de cerâmica ministrada pelo mestre Elves Costa. A atividade proporcionou uma experiência prática com a argila, aproximando os conhecimentos estudados em sala de aula dos saberes tradicionais relacionados à produção cerâmica.
Durante os dois dias, foram apresentadas técnicas de preparo e manuseio da argila, desde a origem e a coleta do material até os processos de preparação e produção das peças. A oficina também destacou a importância dos fragmentos arqueológicos para a compreensão da história e dos modos de vida do povo Tapajó.


Como referência para a produção, foram utilizados fragmentos e elementos de peças arqueológicas, incluindo apliques de vasos de gargalo, representações de animais, como onças e urubus, além de estatuetas que também funcionavam como chocalhos. A partir dessas referências, os participantes puderam conhecer formas e técnicas presentes no patrimônio arqueológico da região.
Para o mestre Elves Costa, a experiência contribui para aproximar a formação acadêmica dos conhecimentos construídos por meio da prática.
“É importante que exista esse intercâmbio entre o saber prático e o saber acadêmico. Eles estão estudando a parte teórica e, aqui, puderam ter uma vivência prática com a argila e com as técnicas de produção. Isso ajuda na formação”, destacou.


Ao longo da oficina, os participantes compartilharam experiências, reproduziram referências da cerâmica arqueológica e conheceram as diferentes etapas envolvidas na produção das peças. Para os estudantes, o contato direto com a argila também possibilitou ampliar os conhecimentos adquiridos durante a formação acadêmica.
Estudante de Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Ana Rubeniza destacou o caráter inovador da experiência, especialmente por ter sido seu primeiro contato com a argila.
“Foi uma experiência inovadora, já que eu nunca tinha mexido com a argila, apenas analisado as peças. Colocar a mão na argila é sentir, de fato, como funciona o processo e tudo o que dá forma ao que conhecemos”, afirmou.


Para Alice Gomes, a oficina foi uma oportunidade de aprendizado e também de conexão com a história dos povos originários.
“Eu gostei muito. É um exercício de estar presente, porque, quando focamos na atividade, nosso pensamento permanece nela. Além disso, aprendemos mais sobre a importância da história dos povos originários. Foi um sentimento incrível estar aqui”, contou.
Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, aproximar os jovens das práticas e dos conhecimentos relacionados ao patrimônio contribui para fortalecer a preservação da memória cultural de Santarém.
“Quando possibilitamos que os jovens tenham esse contato direto com os materiais, com as técnicas e com a nossa história, criamos novas formas de conhecer e valorizar o patrimônio. É esse envolvimento que ajuda a manter esses saberes vivos e presentes no futuro”, destacou.
As peças modeladas durante a oficina ficarão disponíveis para visitação até sexta-feira, 28 de agosto. A atividade integrou a programação especial de aniversário do Centro Cultural João Fona, espaço dedicado à preservação, valorização e difusão do patrimônio cultural e arqueológico de Santarém.





