Diálogo, escuta, responsabilização e construção coletiva de soluções para os conflitos estiveram no centro do VII Encontro de Justiça Restaurativa na Amazônia, realizado nesta segunda-feira (14), no Auditório Tapajós, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Campus Tapajós, em Santarém.
A realização do VII Encontro contou com uma rede de parceiros, entre eles a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras). A parceria parte da compreensão de que os princípios e práticas da Justiça Restaurativa podem contribuir para a transformação de conflitos, o fortalecimento de vínculos e a recomposição das relações sociais.
Com o tema “Justiça Restaurativa, Cultura de Paz e Trabalho Digno”, o encontro reuniu profissionais de diferentes áreas, servidores públicos, estudantes e comunidade em geral em uma programação voltada à troca de experiências e ao fortalecimento das práticas restaurativas na Amazônia.

A programação contou com três importantes referências: Kay Pranis, personalidade internacional pioneira nos Círculos de Construção de Paz; Leoberto Brancher, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e um dos pioneiros da Justiça Restaurativa no Brasil; e Sandoval Alves da Silva, procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho da 8ª Região (MPT-PA/AP).
A partir da articulação da secretária municipal de Trabalho e Assistência Social, Sílvia Freitas, com a Comissão de Justiça Restaurativa, por meio da presidente da Comissão de Justiça Restaurativa da OAB Subseção Santarém, Cynthia Soares, foram disponibilizadas 80 vagas para servidores da Semtras.
A participação priorizou profissionais que atuam diretamente nos serviços e equipamentos da Secretaria, entre eles coordenadores, assistentes sociais, pedagogos e psicólogos. A programação presencial teve carga horária de 07 horas, com certificação aos participantes.
Para Sílvia Freitas, a participação das equipes representa investimento na qualificação do atendimento prestado à população.
“Participar deste encontro é uma oportunidade muito importante de fortalecer a formação dos nossos profissionais e, consequentemente, qualificar ainda mais o atendimento que oferecemos à população. A Justiça Restaurativa nos traz princípios que dialogam diretamente com a assistência social: a escuta, o diálogo, o respeito, a responsabilização e a construção de relações mais humanas e acolhedoras”, destacou.

A Justiça Restaurativa propõe formas de abordagem dos conflitos que valorizam a participação das pessoas envolvidas, a escuta, o diálogo e a responsabilização. No âmbito da assistência social, esses princípios encontram pontos de convergência com o trabalho realizado diariamente pelas equipes que atuam no fortalecimento de vínculos, proteção de direitos e acompanhamento de indivíduos e famílias.
O VII Encontro foi antecedido pelo Curso de Instrutores em Círculos de Construção de Paz, realizado de 7 a 11 de setembro, em Alter do Chão. A formação integrou a programação desta edição e buscou ampliar a capacidade de multiplicação das práticas restaurativas.
Ao avaliar os resultados da programação, Cynthia Soares destacou a perspectiva de expansão dessas práticas para outras regiões paraenses.

“Neste VII Encontro de Justiça Restaurativa na Amazônia tivemos também um curso de instrutores, que vai permitir ampliar a formação de facilitadores e a realização de círculos. A cada edição, estamos fortalecendo esse movimento e levando cada vez mais a Justiça Restaurativa para todo o Estado do Pará”, afirmou.
Segundo Cynthia, a perspectiva a partir da formação é possibilitar a capacitação de mais de 400 facilitadores e contribuir para a realização de aproximadamente 8 mil círculos, ampliando o alcance das práticas restaurativas no Pará.