Santarém recebeu, nos dias 27 e 28 de março, atividades voltadas à ampliação da participação de adolescentes e jovens indígenas em políticas públicas e ao debate sobre mudanças climáticas na Amazônia. A programação integrou uma agenda regional realizada entre os dias 22 e 28 de março nos municípios de Santarém, Itaituba e Jacareacanga, em parceria com as prefeituras locais, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Instituto Peabiru e o Conselho Indígena do Tapajós e Arapiuns (CITA).
A iniciativa já envolveu diretamente mais de 200 adolescentes e jovens indígenas e beneficia, de forma direta e indireta, mais de 2 mil pessoas, incluindo famílias, representantes da sociedade civil e gestores públicos que atuam em territórios indígenas e regiões vulneráveis do Pará.

Em Santarém, a programação incluiu a cerimônia de reconhecimento do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) Indígena do Baixo Tapajós, realizada no dia 27, e uma oficina com adolescentes indígenas no dia 28, com foco em participação cidadã, educomunicação, meio ambiente e mudanças climáticas.
As atividades fazem parte de uma metodologia piloto do UNICEF no Brasil e já resultaram na criação de três NUCAs Indígenas nos municípios de Santarém, Itaituba e Jacareacanga, além do desenvolvimento de planos de participação cidadã com foco em meio ambiente e clima.
Para a chefe do escritório do UNICEF no Pará, Mariana Rocha, fortalecer a participação de adolescentes indígenas é essencial para o avanço de políticas públicas mais inclusivas.
“É necessário ampliar esse diálogo e assegurar a participação de meninas e meninos nas agendas municipais. O Pará possui uma das maiores populações indígenas do país, e as políticas públicas precisam alcançar crianças e adolescentes em seus territórios, garantindo seus direitos”, afirmou.

A secretária municipal de Trabalho e Assistência Social de Santarém, Celsa Brito, também destacou a importância da iniciativa para o território.
“É fundamental ouvir nossos adolescentes e jovens indígenas para construir políticas alinhadas à realidade amazônica. A diversidade dos territórios enriquece o debate, e o Selo UNICEF é uma oportunidade para unir esforços e fazer com que as políticas públicas cheguem aos territórios indígenas da região”, ressaltou.
Segundo a especialista em desenvolvimento e participação de adolescentes do UNICEF, Thaissa Scerne, a iniciativa reforça um direito garantido por marcos legais nacionais e internacionais.
“A participação de adolescentes é reconhecida como fundamental para o desenvolvimento individual e para o fortalecimento da cidadania. Criar espaços estruturados de escuta e atuação é parte desse processo”, explicou.
A especialista também destacou a integração do Selo UNICEF com a metodologia #EntreNoClimaUNICEF, que reúne integrantes dos NUCAs para discutir mudanças climáticas e promover ações nos territórios e nas redes sociais.
“O Selo articula governos municipais e áreas como educação, saúde e assistência social para o desenvolvimento de políticas públicas inclusivas. O legado esperado é a continuidade dessas ações e diálogos, incorporados à agenda do Selo UNICEF por meio dos NUCAs indígenas”, acrescentou.

A fala dos próprios adolescentes evidencia a importância desses espaços de escuta e protagonismo. A jovem indígena Maria Suzana Souza Nascimento, da Aldeia Suruacá, do povo Cumaruá, destacou desafios vividos no cotidiano e a relevância da participação.
“Os jovens têm um papel central na proteção dos nossos territórios e modos de vida. Mas ainda enfrentamos preconceito na cidade. Às vezes somos vistos de forma diferente, com julgamento. Participar desses encontros é importante porque fortalece nossa voz. Já participei de atividades em Alter do Chão e agora aqui também, e vejo como isso é importante para nós que estamos entre a aldeia e a cidade, buscando oportunidades sem perder nossa identidade”, relatou.

As atividades na região do Tapajós fazem parte da agenda do Selo UNICEF – edição 2025-2028, que apoia 2.277 municípios brasileiros na promoção e garantia de direitos de crianças e adolescentes. No Pará, o Selo é implementado em parceria com o Instituto Peabiru, responsável pela assistência técnica no estado.
A equidade étnico-racial é um dos temas transversais desta edição. No Pará, 143 municípios participam da iniciativa, abrangendo cerca de 2,39 milhões de crianças e adolescentes, além de mais de 78 mil pessoas indígenas e 134 mil quilombolas.
Como parte da metodologia, os municípios devem criar ou fortalecer os Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), garantindo a participação de jovens de 12 a 17 anos, incluindo indígenas e quilombolas.
A proposta piloto na região do Tapajós reforça a importância da articulação entre governos municipais, organizações indígenas e o UNICEF para ampliar espaços de escuta e participação.
O início das atividades na região ocorreu em dezembro de 2025, em Alter do Chão, com a participação de mais de 50 adolescentes e jovens indígenas dos municípios de Santarém, Itaituba e Jacareacanga, dando início à construção dos planos de participação cidadã.
Para o especialista em mobilização de adolescentes e equidade étnico-racial do Instituto Peabiru, Adriano do Egito, a iniciativa pode inspirar outros territórios:
“Esperamos que o exemplo desses municípios estimule outras regiões a promover espaços de escuta e protagonismo para adolescentes indígenas, quilombolas e ribeirinhos, fundamentais para enfrentar vulnerabilidades e valorizar a diversidade das juventudes no país”, afirmou.
As ações também dialogam com encontros regionais promovidos pelo Selo UNICEF desde outubro de 2025, abordando temas como mudanças climáticas, equidade étnico-racial, soberania alimentar, água, saneamento e higiene.
Com informações de Isabella Martins – UNICEF
Autor:
Ronaldo Ferreira/ CCOM