Paulo Miguel Nogueira é mais uma das centenas de crianças nascidas em leito do Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS), em Santarém, no Oeste do Pará. Com 49 centímetros e pesando 3,260kg, Paulo Miguel entrou para as estatísticas de nascidos no hospital municipal após uma história comovente e emocionante protagonizada por sua mãe, Luciana Nogueira.
No último dia 1º de julho, Luciana deu entrada no Hospital Municipal de Santarém (HMS). Grávida de seu segundo filho, apresentava dores de parto e perda de líquido. O momento delicado gerou medo, ansiedade e muitas dúvidas. Diante da situação, Luciana demonstrava insegurança e buscava alternativas que lhe transmitissem mais tranquilidade naquele momento.
Foi nesse contexto de medo e insegurança que Luciana encontrou apoio na psicóloga hospitalar do HMS, Narjara Dantas. Naquela tarde, já finalizado seu expediente, Narjara recebeu uma ligação para ir até o hospital pois havia uma paciente precisando de atendimento. Narjara atendeu o pedido e teve um primeiro contato com Luciana.
No dia seguinte, 2 de julho, Luciana retornou ao hospital já com o resultado de uma ultrassonografia solicitada pelo médico que a atendeu. Após nova avaliação, a médica plantonista indicou a necessidade de uma cesariana de urgência. Nesse momento, Narjara se preparava para iniciar seu horário de almoço quando reencontrou Luciana, aflita e em prantos. Percebendo que a paciente precisava de ajuda, não hesitou: acolheu, tranquilizou e acompanhou Luciana nos momentos que antecederam o parto, desde a recepção até a consulta médica.
A notícia de que precisaria passar por uma cesariana deixou Luciana ainda mais apreensiva. O sofrimento emocional era evidente. Ela demonstrava medo, insegurança e preocupação diante da cirurgia e de tudo o que envolvia aquele momento. Foi nesse contexto que a atuação da Psicologia Hospitalar fez toda a diferença.
“Durante o acolhimento, fui desconstruindo seus medos, oferecendo escuta qualificada, informações claras e apoio emocional. Diante da sua angústia, comprometi-me a acompanhá-la até o centro cirúrgico. Mesmo sendo meu horário de almoço, optei por permanecer ao seu lado, pois compreendi que aquele era um momento único em sua vida. No centro cirúrgico, permaneci ao seu lado, segurando sua mão enquanto a equipe realizava todos os procedimentos necessários. Mantive-me em um espaço que não interferisse no trabalho da equipe, mas suficientemente próximo para transmitir segurança, responder às suas dúvidas e ajudá-la a enfrentar aquele momento com mais tranquilidade”, relatou Narjara Dantas.
Conforme Narjara, a presença do psicólogo no momento do parto vai muito além do acolhimento emocional. “É uma atuação fundamentada na humanização da assistência, que contribui para reduzir a ansiedade, o medo e o sofrimento psíquico diante de um momento de grande vulnerabilidade”.

Ainda segundo ela, o psicólogo fortalece o vínculo entre a paciente e a equipe de saúde, favorece a compreensão dos procedimentos realizados, oferece suporte diante das incertezas e promove segurança emocional. “Em situações de urgência, esse acompanhamento torna-se ainda mais relevante, pois possibilita que a mulher vivencie o nascimento do seu filho de forma mais tranquila, acolhida e respeitada em sua singularidade.”, completa Narjara.
Feliz pelo desfecho da história, a mamãe Luciana Nogueira comentou sobre o atendimento recebido pela psicóloga.
“Em relação ao atendimento da Narjara para comigo no hospital foi maravilhoso. No meu caso, foi uma gravidez não planejada e eu estava com o psicológico muito abalado. Ela me ajudou bastante, me acompanhou no parto e segurou minha mão, literalmente. Eu estava muito nervosa, chorei muito. A presença dela me ajudou demais a passar pela cirurgia. Eu não queria fazer a cesárea, estava com medo, mas ela esteve o tempo todo ao meu lado. Esse tipo de atendimento dentro do hospital deveria existir sempre, porque é necessário”, ressaltou Luciana.

Quando Paulo Miguel nasceu foi um momento de profunda emoção.
“Esse momento foi único para ela e para toda a equipe multiprofissional e também para mim, como psicóloga hospitalar. Acompanhar o nascimento de uma criança significa testemunhar um dos acontecimentos mais marcantes da vida de uma mulher. Estar presente oferecendo acolhimento emocional é um privilégio e, acima de tudo, uma responsabilidade. Tenho muito orgulho de fazer parte dessa equipe e de contribuir para que momentos tão delicados sejam vividos com dignidade, segurança e humanidade”, sintetizou Narjara.
Relatos como esse reforçam a importância da assistência humanizada oferecida pelo Hospital Municipal de Santarém. Mais do que realizar procedimentos, a missão da unidade é cuidar das pessoas em sua integralidade, com respeito, empatia, acolhimento e segurança em cada etapa do atendimento.
Autor:
Arquivo do hospital