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Escolha e tiração dos Mastros marcam preparação para o Rito Tradicional do Sairé
Foto: Coordenação do Sairé
Sairé 2026

Escolha e tiração dos Mastros marcam preparação para o Rito Tradicional do Sairé

Ritual que antecede a Busca dos Mastros é marcado pela escuta, pela presença e pela conexão com o território.

Victor Ribeiro

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Sentir, viver e ouvir o chamado da floresta são premissas que direcionam a escolha e a tiração dos Mastros, conduzidos para a vila de Alter do Chão durante a tradicional Busca dos Mastros. Neste sábado, 5, mais um ritual de escolha foi realizado na Praia da Arioca, reunindo o Juiz, a Juíza, os procuradores e integrantes da Corte do Sairé em um momento reservado de preparação para uma das etapas mais simbólicas do Rito Tradicional. 

A escolha dos Mastros marca o primeiro movimento para a busca que integra a programação do Rito Tradicional. É o momento de entrar na mata, observar, escutar e reconhecer os troncos que serão retirados para se tornarem os Mastros do Sairé. A definição, no entanto, não é feita de forma aleatória: ela envolve o reconhecimento do território, o respeito à floresta e a compreensão de que cada etapa da celebração está ligada à relação do povo Borari com a natureza e com a memória ancestral.

A escolha dos Mastros é liderada pelo Juiz e pela Juíza do Sairé, com a participação dos procuradores, e conduzida com cuidado e respeito aos saberes que orientam a tradição, além de ser uma preparação espiritual para os dias de celebração. Após a escolha, homens e mulheres participam da tiração dos Mastros, em um trabalho que aproxima a floresta do espaço onde a celebração acontece. 

É nesse movimento que os elementos escolhidos no território começam a ganhar novos sentidos dentro do Sairé, passando a ocupar um lugar central nos ritos e na celebração.

“Logo cedo estamos aqui, como todo ritual, estamos com personalidades e autoridades da nossa festa. Depois de um momento de ritual coletivo, entramos na mata. Antes da escolha, a gente pensa na árvore, na espessura, e como vamos reflorestar as áreas das quais os mastros são retirados. Depois disso, os Mastros se tornam parte da cerimônia e são abençoados”, destacou Osmar Vieira, da coordenação do Sairé.

O encontro é marcado pela concentração, pelo respeito e pela conexão com o território, e integra a preparação daqueles que conduzirão os ritos ao longo da festa. Os Mastros acompanham o Sairé durante a programação e estão presentes em diferentes momentos da celebração, mantendo uma relação direta com os ritos, o cortejo e a fé do povo Borari.

“Somos muito felizes em fazer parte do Sairé e, ao mesmo tempo, sabemos do compromisso que é realizar cada um desses momentos, respeitando a nossa ancestralidade e a nossa tradição. Somos filhos deste chão e temos muito orgulho disso. Ter autonomia para produzir a nossa festa e conduzir o nosso rito, a partir dos nossos saberes e daquilo que recebemos dos nossos antepassados, é algo que nos fortalece e nos enche de alegria”, destacou Laysa Mathias, da coordenação do Sairé.

A escolha dos Mastros também é acompanhada pela piracaia, momento de encontro e partilha entre aqueles que participam do ritual. É nesse ambiente de convivência que o tarubá também é compartilhado, bebida tradicional dos povos originários da Amazônia, preparada à base de mandioca e presente nas celebrações. A presença da bebida reforça o sentido de união e pertencimento que acompanha a preparação para o Sairé.

“Esse é um momento muito importante para nós. Os mastros nos aguardam até a busca deles, depois os levamos em procissão até a Praça do Sairé, os decoramos com frutas, bandeiras, cachaça e vários elementos que fazem parte do nosso rito. Então, tudo é preparado com muito cuidado e respeito à nossa tradição”, destacou Celiney Eulália, mordoma.

A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), acompanhou e participou dos momentos de preparação do Sairé, reconhecendo a importância da construção coletiva e comunitária que sustenta a festa.

“Participar desses momentos é também reconhecer que a força do Sairé está na comunidade, nos saberes que são compartilhados e nas pessoas que mantêm essa tradição viva. A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, tem o compromisso de estar próxima e apoiar essa construção, respeitando os ritos, a ancestralidade e o protagonismo de quem faz o Sairé acontecer. É nessa vivência, nesses encontros e na transmissão desses conhecimentos que a nossa memória e a nossa identidade cultural permanecem vivas”, destacou a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro.

 

A realização do Sairé 2026 – “Rêdawa Ancestral”, em Alter do Chão, reafirma a força da cultura, da tradição e da ancestralidade amazônica, tendo como destaques o Rito Tradicional e a apresentação oficial dos Botos Rosa e Tucuxi. O projeto é viabilizado por meio dos mecanismos de incentivo cultural da Lei Rouanet e do Semear – Programa Estadual de Incentivo à Cultura, que possibilitam a participação de importantes patrocinadores, como Equatorial Energia, Banpará, Coca-Cola, Amstel, Vivo e Companhia Docas do Pará. A iniciativa conta ainda com o apoio da MANÁ Produções, Assessoria Cultural, Borari Produções, Secretaria de Estado de Cultura do Pará e Fundação Cultural do Estado do Pará, e tem realização da Prefeitura de Santarém e da Comunidade de Alter do Chão, fortalecendo uma das mais importantes manifestações culturais do Pará e promovendo a valorização e a salvaguarda dos saberes e tradições do povo Borari.

Contato

Maria Eulália - Assessoria de Comunicação da Coord. do Sairé - 93 99164-2626

Victor Ribeiro - Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Cultura - 93 99231-0362

 

 

Créditos da publicação

Editor(a)

Jéssica Luz

Assessoria de Comunicação

Para informações sobre esta publicação, entre em contato pelo e-mail ascom@santarem.pa.gov.br.