O distrito de Arapixuna, na região de várzea de Santarém, recebeu nesta quarta-feira (7), uma programação da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), voltada à promoção, prevenção e assistência em saúde mental da população ribeirinha. A ação foi realizada na Unidade de Saúde da Família Ribeirinha (USFR) Antônio Evangelista e na Escola Sant’Ana.
A iniciativa ofertou escuta psicológica, acolhimento, terapia ocupacional, consulta médica e aplicação de testes para identificar sinais de ansiedade e estresse.


No período da tarde, a programação foi direcionada à capacitação dos profissionais, com foco no manejo e acompanhamento dessas demandas no território.
A ação foi planejada a partir de uma necessidade identificada durante uma visita técnica realizada anteriormente na comunidade.


Segundo a Referência Técnica de Saúde Mental da Semsa, Letícia Gato, a escola local também relatou preocupação com o consumo de álcool entre moradores, contribuindo para a definição das atividades.

“A gente veio com o objetivo não só de trazer o atendimento, mas principalmente de fazer a educação permanente com os profissionais, para que eles possam fazer o manejo clínico desses cuidados, seja em relação ao alcoolismo, a outras drogas e ao tabagismo, como também aos sofrimentos psíquicos. Essa ação partiu de uma necessidade da própria comunidade. Então, viemos fazer essa orientação e capacitação para que os profissionais também sejam multiplicadores desse cuidado. A saúde mental é uma prioridade da secretaria durante todo o ano, e não apenas em campanhas como o Janeiro Branco ou o Setembro Amarelo”, destacou.
Outro foco da programação foi ampliar o diálogo sobre o tema e combater estigmas que ainda podem afastar a população dos serviços especializados. A psicóloga do CAPS AD III, Lorena Lisboa, explica que ainda existe a percepção equivocada de que o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico é destinado apenas a pessoas com transtornos mentais graves.

“A questão da saúde mental está envolta em estigmas e tabus. Às vezes, a pessoa acredita que não precisa de atendimento psicológico porque não está ‘doida’, ou que quem procura esse tipo de serviço é uma pessoa 'doida'. Mas o adoecimento é um processo ao qual todos estamos sujeitos”, afirmou.
Nesse contexto, a programação também apresentou os serviços disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial do município, entre eles o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD III).
“O CAPS é um local de cuidado e acolhimento, de promoção da saúde, onde a pessoa não vai somente para tratar uma doença, ela vai para ter um cuidado integralizado”, ressaltou Lorena.

Para a secretária municipal adjunta de Saúde, Irlaine Figueira, a ação reforça o compromisso de ampliar o acesso aos serviços e fortalecer uma atenção em saúde que considere as características de cada território.
“Levar esse atendimento até Arapixuna é uma forma de aproximar os serviços da população e garantir que as pessoas tenham acesso ao cuidado onde vivem. Ao mesmo tempo em que acolhemos as demandas da comunidade, também fortalecemos a equipe local para que os profissionais estejam preparados para identificar situações de sofrimento psíquico, orientar as famílias e dar continuidade ao acompanhamento. Essa integração é fundamental para que a saúde mental seja trabalhada de forma preventiva, humanizada e permanente no território”, destacou.
