O Centro Maria do Pará, em Santarém, promoveu, nesta quarta-feira (28), uma palestra alusiva à campanha Outubro Rosa, com orientações sobre a prevenção e o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero. A atividade foi direcionada às mulheres atendidas pelo serviço, que oferece acolhimento e acompanhamento a mulheres em situação de violência.

Durante a programação, a enfermeira Larissa Ricarda, coordenadora da Saúde da Mulher, destacou a importância da realização dos exames preventivos e do acesso aos serviços de saúde. Na ocasião, as participantes receberam orientações sobre mamografia e tiveram suas requisições encaminhadas para a realização do exame, conforme a avaliação e a indicação dos profissionais de saúde.
Segundo a coordenadora, a iniciativa representa uma oportunidade para aproximar as mulheres da rede pública de saúde, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades para buscar atendimento devido à rotina familiar, à falta de tempo ou a situações de vulnerabilidade.
A profissional também ressaltou que a mamografia é fundamental para identificar alterações nas mamas, inclusive antes do aparecimento de sintomas. No Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreamento populacional é recomendado para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres de outras faixas etárias também podem ter acesso ao exame, conforme orientação profissional, especialmente quando há sinais suspeitos ou fatores de risco.

A orientação é que, ao perceber qualquer alteração nas mamas, como nódulos, mudanças na pele ou no mamilo, a mulher procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação e encaminhamento. O conhecimento do próprio corpo é importante, mas não substitui a mamografia nem o acompanhamento profissional.
Outro tema abordado durante a palestra foi a implementação do teste molecular DNA-HPV, que passou a integrar as estratégias de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil. O exame identifica a presença de tipos de HPV associados ao desenvolvimento da doença e apresenta maior sensibilidade para detectar lesões precursoras do câncer em comparação com o exame citopatológico tradicional, conhecido como Papanicolau.
De acordo com Larissa Ricarda, Santarém está avançando na implementação desse serviço. A expectativa apresentada pela coordenação é ampliar a oferta do exame para todas as unidades de saúde do município até 2027.
O rastreamento do câncer do colo do útero é indicado, conforme as diretrizes nacionais, para pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual. A periodicidade e a necessidade de acompanhamento dependem do resultado do exame e da avaliação profissional. Nas localidades em que o teste DNA-HPV ainda não está disponível, o Papanicolau continua sendo uma alternativa segura para a prevenção.

A psicóloga do Centro Maria do Pará, Fernanda Campos, explicou que muitas mulheres atendidas pelo serviço chegam em situações de grande vulnerabilidade e passam longos períodos priorizando a própria segurança e as necessidades dos familiares, deixando a saúde pessoal em segundo plano.
“Um dos nossos objetivos aqui no centro é fazer com que ela volte esse olhar para si mesma, para o autocuidado e para a própria saúde, não apenas para a saúde dos filhos ou de outras pessoas da família. Ela também merece esse cuidado”, destacou a psicóloga.
Fernanda também ressaltou a importância do trabalho multiprofissional e das atividades em grupo promovidas pelo Centro Maria do Pará. Os encontros permitem abordar temas relacionados à saúde, à saúde mental e aos direitos das mulheres, além de favorecer a troca de experiências entre participantes que enfrentam situações semelhantes.
Segundo a psicóloga, a equipe acompanha os encaminhamentos realizados e busca identificar as dificuldades que podem impedir a continuidade do atendimento, considerando os impactos que a violência pode provocar na autoestima e na percepção de merecimento de cuidado.
A atividade do Outubro Rosa reforça, assim, a importância da integração entre os serviços de acolhimento e a rede pública de saúde, ampliando o acesso à informação, à prevenção e ao atendimento das mulheres.
Mulheres que precisam de orientação ou de atendimento preventivo devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para receber informações e agendar os procedimentos indicados conforme a avaliação profissional.

