A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), iniciou a divulgação de boletins sobre a qualidade do ar elaborados pelo Laboratório de Agrometeorologia com Modelagem da Bioeconomia e Diagnóstico Ambiental (Lambda), da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A iniciativa é resultado de uma articulação realizada no âmbito do Comitê Municipal de Gestão de Riscos de Queimadas e Mudanças Climáticas e tem como objetivo ampliar o acesso da população a informações sobre as condições atmosféricas no município.
Os boletins são produzidos pela equipe técnica do laboratório, a partir de dados coletados por sensores ambientais, e compartilhados com a Semma para divulgação nos canais oficiais da Prefeitura, incluindo o perfil no Instagram (@prefeituradesantarem). Os informativos apresentam a classificação da qualidade do ar, permitindo que a população acompanhe as condições registradas e conheça os possíveis riscos associados à exposição à poluição atmosférica.
A iniciativa ocorre em um período marcado pela estiagem, pelas queimadas e pela presença de fumaça em Santarém, cenário que tem provocado preocupação quanto aos impactos da poluição sobre a saúde da população.
Segundo Thainá Cunha, chefe do setor de Monitoramento Ambiental da Semma e integrante do Comitê Municipal de Gestão de Riscos de Queimadas e Mudanças Climáticas, a parceria contribui para aproximar o conhecimento científico da população e fortalecer o acesso à informação ambiental.
“A Ufopa desenvolve um trabalho técnico e científico muito importante de monitoramento da qualidade do ar. A partir dessa parceria, conseguimos levar essas informações à população de maneira mais acessível, permitindo que as pessoas acompanhem as condições do ar que respiram”, destaca Thainá.
Como funciona o monitoramento da qualidade do ar?
O Lambda/Ufopa realiza o monitoramento da qualidade do ar por meio de equipamentos com sensores ambientais instalados em quatro municípios paraenses: Santarém, Castanhal, Itaituba e Monte Alegre. Em Santarém, o equipamento está localizado no Campus Tapajós da Ufopa.
Os sensores realizam medições periódicas das concentrações de material particulado fino (PM2,5) e inalável (PM10), que correspondem a pequenas partículas suspensas na atmosfera, com diâmetros de até 2,5 e 10 micrômetros, respectivamente. Também são monitoradas variáveis meteorológicas, como temperatura e umidade relativa do ar.
De acordo com o meteorologista e professor doutor Gabriel Brito Costa, coordenador do Lambda/Ufopa, os dados coletados são transmitidos para a plataforma digital Aurassure, que permite acompanhar os registros das medições ao longo do tempo. Posteriormente, as informações são processadas e analisadas pela equipe do laboratório para a elaboração de gráficos e boletins sobre a qualidade do ar.
Para facilitar a compreensão dos resultados, os boletins utilizam o Índice de Qualidade do Ar (IQAr), indicador que transforma as concentrações dos poluentes atmosféricos em uma escala numérica, conforme os critérios estabelecidos pela Resolução nº 506/2024 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
O índice considera as concentrações de PM2,5 e PM10, sendo a classificação final determinada pelo poluente que apresentar a condição mais desfavorável. Os resultados são divididos em cinco categorias: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima, identificadas por cores que vão do verde ao roxo. Quanto maior o índice, pior a qualidade do ar e maiores os possíveis riscos à saúde.
Os boletins divulgados pela Prefeitura apresentam informações referentes a um período de 24 horas, considerando os registros realizados das 7h de um dia até as 7h do dia seguinte. Dessa forma, os resultados representam as condições observadas durante o intervalo analisado, e não necessariamente a qualidade do ar no momento da consulta.
Informação para prevenção e cuidados com a saúde
Gabriel Brito Costa explicou que o acompanhamento da qualidade do ar é especialmente importante durante o período de estiagem na região amazônica, quando a ocorrência de queimadas e incêndios florestais pode elevar as concentrações de poluentes na atmosfera.
“Com esse acompanhamento, conseguimos identificar alterações na qualidade do ar e disponibilizar informações que ajudam a população a compreender os riscos à saúde e a adotar medidas preventivas, especialmente os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias”, disse.
Com a divulgação dos boletins, a Prefeitura busca tornar essas informações científicas mais acessíveis, contribuindo para a conscientização sobre os efeitos da poluição atmosférica e para a prevenção de riscos à saúde. A iniciativa também fortalece a integração entre a universidade e a gestão pública municipal, aproximando o conhecimento científico das necessidades da população.
