Festival do Borari


A Vila de Alter do Chão era, até o século XVII, a antiga aldeia dos índios Boraris, uma das seis tribos que constituíam a poderosa Nação Tupaiuçu, cujo maior número de habitantes eram os índios Tupaiús. Sua grande oca ficava às margens do rio Tapajós, o Rio Preto, onde se encontra hoje a Praça Rodrigues dos Santos, o berço da Cidade de Santarém.

Em 1661, o Padre João Felipe Bettendorf, considerado o fundador de Santarém, criou a Missão do Tapajós, da qual faziam parte também os índios Boraris. O sistema de aldeamento implantado em Santarém era o mesmo de toda a região Amazônica. Os índios do sertão (pertencentes às regiões mais distantes) desciam e se concentravam em torno da missão onde se dedicavam a atividades religiosas e econômicas, principalmente o extrativismo das drogas do sertão, produtos que tinham alto valor econômico no mercado europeu.

Em razão da grande distância entre Santarém e Alter doChão, anos mais tarde, a Missão do Tapajós seria dividida, culminando com a criação da Missão de Nossa Senhora da Purificação ou Nossa Senhora da Saúde, que viria a tornar-se padroeira da nova missão na aldeia dos Boraris. Em 1693, a missão de Nossa Senhora da Purificação dos índios Boraris já era uma das mais desenvolvidas da região do Tapajós e, em razão do seu desenvolvimento expressivo, seria elevada à categoria de vila no dia 06 de março de 1758, pelo então governador da província do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado que estava em visita à região a fim de definir os limites das fronteiras entre Portugal e Espanha estabelecidos pelo Tratado de Madri.

Durante a cerimônia de elevação da missão de nossa Senhora da Purificação à categoria de Vila, foi instalada pelo pelourinho, símbolo de autonomia da Vila e criada a câmara, com a nomeação de seus vereadores, que passariam a serem os principais representantes do local. Na ocasião, houve também a alteração do nome da Missão de Nossa Senhora da Purificação para Vila de Alter de Chão, conforme medida adotada pelo governo português de substituir em vários lugares da Amazônia, os primitivos nomes das missões por nomes de cidades portuguesas. O Festival surgiu com o objetivo de resgatar os valores culturais, costumes e tradições do povo Borari.

Com 11 anos de existência o Festival a cada ano que passa expande-se com seu folclore admirável e com suas belezas naturais que encantam qualquer pessoa que em Alter do Chão procura o seu aconchego pela pureza da magia encantadora do povo hospitaleiro.

Aldeia dos Boraris nome que sofreu variações linguísticas, primeiramente foi chamada de "PUERACI" depois "IBURACI" e finalmente de "BORARI" nome de uma tribo de grande nação ARUAQUES, tendo como significado "FLECHA ENVENENADA".

O evento reflete o culto sagrado do homem indígena desta região preservada arduamente e defendida pela luta daqueles que acreditam no valor de suas raízes e resistem com dignidade e sabedoria às agressões que a vida moderna lhes impõe.